Reforma da previdência

“Por que tem de passar necessidade no fim da vida?”

Aposentada tem medo de faltar dinheiro pro remédio. Situação piora com reforma da previdência e fim do aumento salário.

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Aposentada, Iracema trabalhou desde os 15 anos na roça, no Paraná, e depois como diarista. / Arquivo pessoal

A conta não fecha nunca no final do mês para quem vive com um salário mínimo de aposentadoria. “A gente passa sempre apertado. E eu tenho muito medo que de falte para os remédios”, diz a aposentada Iracema Gomes, 71 anos, que trabalhou desde os 15 anos na roça, no Paraná, e depois como diarista. Ela é um dos exemplos dos milhares de aposentados que vivem com salário mínimo. 

O que ainda deve piorar se aprovada a reforma da previdência, em que o trabalhador rural poderá nem se aposentar se não conseguir contribuir todo ano. E com a queda do salário mínimo, pois o governo Bolsonaro decidiu que vai acabar com a política de aumentos reais iniciada por Lula. 

O que afeta a vida de pessoas como Iracema. “Faz uns 9 anos, consegui aposentar pelo Fundo Rural. Moro hoje com uma filha que precisa de cuidados médicos e vivemos com meu salário mínimo e o dela, que é mínimo também,” conta. “A gente que é brasileiro trabalha a vida toda para ter aposentadoria. No fim do mês falta leite, carne e bastante coisa. A gente fica sem saber por que trabalha vida toda e tem que passar por necessidade no final da vida. E ainda estão querendo tirar a aposentadoria do pessoal. É uma grande covardia e injustiça.” 

Aumento da pobreza 

A reforma da previdência e o fim da política de aumento real do salário mínimo agravará mais ainda o quadro de pobreza extrema no Brasil. Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) cerca de 48 milhões de brasileiros vivem com salário mínimo. 

Reforma da previdência passa em primeira comissão da Câmara 

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, na noite da terça-feira (23), o relatório a favor da reforma da previdência. O parecer teve 48 votos a favor (da base de Bolsonaro) e 18 contra e em votação que foi finalizada pouco antes da meia-noite. O projeto segue agora para avaliação de mérito em uma comissão especial. 

Durante a sessão, o relator da proposta, Delegado Marcelo Freitas (PSL-MG), apresentou uma complementação de voto com alterações após uma negociação de aliados do governo com membros do grupo tradicionalmente chamado de “Centrão”. 

“Foi uma mudança pequena. Na verdade, não se negociou nada do que era mais importante. O que está por trás disso é que o governo usou cargos e emendas pra convencer deputados do Centrão a fechar acordo pra votar a reforma”, criticou o líder da bancada do PSOL, Ivan Valente (SP). 

Deputados do Paraná votam contra os trabalhadores 

Entre os deputados da CCJ que votaram na reforma de Bolsonaro que retira direitos dos trabalhadores, há seis paranaenses. O presidente da CCJ, Felipe Franceschini (PSL), além de Diego Garcia (PODE), Luizão Goulart (PRB), Paulo Martins (PSC), Stephanes Junior (PSD) e Rubens Bueno (CIDADANIA). 

 

 

Edição: Laís Melo