EDUCAÇÃO

Os cortes no orçamento das universidades não são resultado de uma crise financeira

Tanto é que o argumento dado pelo governo foi o de que as instituições estariam “promovendo balbúrdia”

Brasil de Fato

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Estudantes em todo o país vem se manifestando contra a decisão autoritária dos cortes no ensino superior e na educação básica / Coletivo Afromack

Na última semana, o atual Ministro da Educação do governo Bolsonaro anunciou o corte de 30% no orçamento anual de três universidades federais – a de Brasília, a da Bahia e a Fluminense. Todas as três, nos últimos anos, subiram de colocação em diversos rankings de avaliação do desempenho da produção de conhecimento. Não há qualquer apontamento na performance das três universidades que possam justificar o contingenciamento, tanto que o argumento dado pelo governo foi o de que as instituições estariam “promovendo balbúrdia”. Promover balbúrdia, na língua do Bolsonarista, é democratizar a universidade pública. É promover sistema de cotas que permitam ao pobre ser doutor. É ofertar oportunidade de intercambio de ideias. É, em outras palavras, ensinar aos alunos a necessidade do pensamento crítico e analítico. O corte no orçamento não é resultado de uma crise financeira. Caso fosse, não existira uma escolha a dedo de onde cortar. O corte é resultado do julgamento moral de um governo que não sabe lidar com o diferente. Um governo que não aceita o embate de ideias. Pudera, já que seu chefe fugiu de todos os debates.

*Clarissa Nunes é advogada criminalista e membro da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia

Edição: Monyse Ravenna