Educação

No sul do Ceará, Universidades do Cariri se mobilizam contra cortes

Universidades e Institutos Federais realizaram assembleias unificadas

Brasil de Fato | Crato (CE)

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Assembleia Geral do IFCE de Juazeiro do Norte / Levante Popular da Juventude

O início do mês de maio foi marcado por mobilizações de defesa da educação no Cariri cearense. Assembleias na Universidade Federal do Cariri (UFCA), nos campi Crato e Juazeiro do Norte do Instituto Federal do Ceará (IFCE) e da Universidade Regional do Cariri (URCA), além de atividades em defesa da liberdade de Lula e um debate com Manuela D’Ávila sobre democracia e fake news.

O movimento estudantil, juntamente com sindicatos de professores, de servidores técnico-administrativo e até mesmo representantes das administrações institucionais das Universidades e Institutos Federais vem se reunindo em assembleias unificadas para pensar caminhos em defesa da educação.

A URCA, através do Diretório Central dos Estudantes (DCE) Caldeirão iniciou as mobilizações fazendo uma rodada de reuniões por campus com os Centros Acadêmicos orientando a mobilização para assembleias gerais mobilizando para a paralisação nacional.

Anderson Félix, presidente do DCE Caldeirão, evoca as palavras do Patrono da Educação Brasileira - Paulo Freire - ao iniciar sua fala na Assembleia do Centro de Artes da URCA “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou sua construção” e segue defendendo que “diante dos pronunciamentos do Bolsonaro e seu ministro da educação, em relação aos cortes na educação brasileira, apontando o sucateamento das produções científicas e artísticas que o ambiente educacional proporciona, não podemos nos calar e devemos fazer o possível para instrumentalizar as entidades estudantis de todos os cantos na defesa da educação”.

Na terça, dia 7, na UFCA aconteceu uma histórica assembleia com mais de 1000 participantes de todas as categorias da comunidade acadêmica e até membros de outras instituições. Onde o Reitor Ricardo Ness apresentou todos os cortes do Ministério da Educação - MEC que chegam a 47% de verbas destinadas à instituição, o bloqueio soma algo em torno de R$ 18 milhões. Quanto aos auxílios e bolsas a universidade só tem como garantir até  julho, depois disso tudo é incerto.

A professora e coordenadora do curso de Medicina na UFCA, Emille Sampaio, relata que o corte “inviabiliza o crescimento da universidade”, cita o caso do projeto de construção de um ambulatório de especialidades clínicas vinculado ao curso de Medicina “que seria um ganho para a população do Cariri em atendimento à saúde, tanto por ser mais um serviço de saúde para receber as demandas da população como por ser um serviço que nasce como serviço de excelência por ser um serviço acadêmico” arremata falando das dificuldades que a universidade vai ter para pagar os serviços básicos - água, luz, telefone, internet - e também para realização de atividades de extensão e material didático de consumo, como reagentes de laboratórios.

Quarta-feira, 8 de maio, foi a vez de Manuela D’Ávila fazer coro nessa a crítica aos ataques com um debate sobre democracia e “fake news”, além de lançar o seu livro Revolução Laura. Ela foi recebida de pé e sob fortes aplausos de mais de 600 pessoas na quadra poliesportiva da Faculdade Juazeiro do Norte (FJN). Por quase duas horas Manuela falou sobre como as “fake news” afetaram o processo eleitoral e de como elas têm um caráter de crime de ódio, exemplo foi o fato de ela mesmo sendo candidata a vice ter sido mais atacada que os candidatos que disputavam a presidência.

Edição: Monyse Ravena