Cinema

Uma mesma luta sob dois olhares

Partindo de datas marcos na Vigília Lula Livre, cineastas registram a resistência das pessoas e do espaço que constroem

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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"O cinema deve fazer parte desses acontecimentos políticos do nosso tempo", afirma Rafael Urban / Isabella Lanave

Um ano de prisão de Lula, mais 390 dias em que pessoas, fixas e em trânsito, constroem um espaço de resistência concreta: a Vigília Lula Livre. Nesse processo, dois grupos de realizadores em cinema se atentam a necessidade de, em forma de curta-metragem, registrar essa memória e essa contra narrativa quando se pensa as informações difamadas pela imprensa comercial e atual governo.

“Vigília”, com direção de Rafael Urban, e colaboração de Isabella Lanave e João Menna, é um deles. O filme, exibido no último domingo (05) no espaço de referência em paralelo a sua estreia no festival de cinema Indie Lisboa, em Portugal, é um recorte desse espaço-tempo que se propõe a fazer um registro da vivência atacada, mas perseverante, durante o processo das eleições 2018, 1 e 2 turno.

“Na vigília estão concentradas pessoas que lutam pela democracia, nesse momento das eleições fazia muito sentido registrar uma das maiores fontes de resistência em uma cidade como Curitiba, super reacionária, que estariam ali aconteça o que acontecer. O cinema deve fazer parte desses acontecimentos políticos do nosso tempo. Esse filme foi feito, porque precisava ser feito”.

Além de depoimentos e imagens documentais, o filme faz uso de alguns retratos de pessoas, que começam com um olhar “perdido” e depois encaram a câmera e, logo, o público: “Também mostramos imagens de murais, feitos pelo artista Tarcísio, de referências de lutadores progressistas, que terminam no grafite de Marielle Franco. São olhares encontrados, que estão vendo algo que talvez a gente ainda não esteja”.

Já o documentário “Nunca antes na História desse país” é um curta-metragem de 15 minutos, filmado no evento de um ano da Vigília Lula Livre (7 de abril), em Curitiba. Dirigido por Cesar de la Plata, o filme mostra a relação dos apoiadores com o ex-presidente Lula, a partir do enfoque do afeto ao ex-presidente, para compreender “o incansável movimento de quem quer Lula Livre”.

“A ideia do projeto surgiu durante as reuniões que participei nos comitês Lula Livre. Percebi que dentro de cada fala nessas reuniões, a figura do Lula representava algo para além da questão política e social, representava uma relação direta dele com o povo mesmo, o que faz dele ser uma figura até mesmo familiar para essas pessoas”, afirma De la Plata.

O filme estreia na Vigília Lula Livre no dia 11 de maio, às 18h.

 

 

 

Edição: Laís Melo