Opinião

Editorial | A Petrobras sob ataque

Projeto de destruição é anunciado com pompa como se fosse inteligente entregar a maior empresa do país

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Ao longo de sua história, a Petrobras foi defendida pelas vozes progressistas comprometidas com a soberania e o futuro do país / Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Como presente de grego aos trabalhadores, o governo Bolsonaro anunciou a venda de oito refinarias da Petrobras. Um novo passo no processo de esquartejamento da petroleira, uma das maiores do planeta. Juntas, as oito detêm uma capacidade de refino de 1,1 milhão de barris/dia. O presidente da estatal, Roberto Castello Branco, já confessou que seu sonho “é vender a Petrobras”.

Sob o signo do fundamentalismo neoliberal, o projeto de destruição leva o nome de “desinvestimento”, anunciado com pompa e circunstância como se fosse inteligente entregar a maior empresa do país. Como se os grandes produtores de petróleo não mantivessem nacionalizadas as suas petroleiras, como fizeram, entre outros, a Arábia Saudita, o Irã e o Kuwait. Agem assim por saberem que o controle do seu petróleo é e continuará sendo estratégico para qualquer país.

Chama a atenção a postura contemplativa e muda das Forças Armadas diante do assalto ao patrimônio de gerações. Nem parece que um general, Julio Horta Barbosa, comandou o Conselho Nacional do Petróleo, embrião da Petrobras, e defendia o monopólio estatal.

A refinaria mineira que Bolsonaro pretende transferir ao capital multinacional leva o nome de Gabriel Passos. Gabriel foi Procurador Geral da República de Getúlio Vargas e Ministro das Minas e Energia de João Goulart, presidentes que sabiam da importância estratégica da Petrobras.

Na verdade, o ataque à empresa tem sido praticado desde sua criação, em 1953, por Getúlio Vargas. “Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobras, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma”. A “agitação” que Getúlio cita na sua carta-testamento antes do tiro no coração era a das elites atreladas a Washington, dos seus políticos e da sua mídia. São os setores que, em 2019, repetem sua velha arenga. E que, em boa medida, estão representados em Brasília. 

Ao longo de sua história, a Petrobras foi defendida pelas vozes progressistas comprometidas com a soberania e o futuro do país. Está na hora, novamente, dessas vozes se fazerem ouvir. O povo precisa defender a estatal. 

Querem roubar nosso futuro 

Ao contrário do que dizem, a reforma da Previdência não enfrenta privilégios. Ela é cruel com os mais pobres e vai gerar, no futuro, uma legião de idosos miseráveis. Isso é bom para o Brasil? Claro que não! É injusto com aqueles que trabalharam a vida toda e têm o direito de gozar da velhice com alguma tranquilidade.

Não podemos aceitar que nosso futuro seja roubado.

 

Edição: Elis Almeida