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Em BH, ato pela educação supera expectativas e chega a 250 mil pessoas

Protestos aconteceram em mais de 34 cidades de Minas Gerais, reunindo trabalhadores de diversas áreas e estudantes

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Manifestantes reunidos na Praça da Estação, Centro da capital / Foto: Maíra Cabral

Milhares de estudantes e trabalhadores lotaram a Praça da Estação, no Centro de Belo Horizonte, na manhã desta quarta-feira (15). O protesto foi contra os cortes da educação, que na cidade atingem a educação federal, estadual e municipal. A multidão esteve marcada por estudantes de muitas áreas, que vestiam as camisetas de seus cursos e instituições, e pela enorme quantidade de pessoas.

As ações na capital mineira começaram às 6h, com panfletagem convocada pelos professores da rede municipal em metrôs e estações de ônibus. Ao mesmo tempo, professores universitários panfletaram em frente à faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na área hospitalar. A ação reuniu cerca de 15 mil pessoas. Estudantes também manifestaram em frente ao Campus I do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), na avenida Amazonas.

Todos se encontraram às 9h30. A Praça da Estação, que tem capacidade oficial de 100 mil pessoas, ficou lotada, e o ato ganhou novos apoiadores quando a caminhada começou. Os sindicatos e entidades estudantis que organizavam o ato afirmam que a multidão chegou a 250 mil pessoas.

Não à reforma da Previdência



Foto: Maíra Cabral

O principal tema dos cartazes e faixas foi a defesa da educação pública e gratuita, porém, as faixas contra a reforma da Previdência foram muito presentes. O secretário geral da Central Única de Trabalhadores (CUT/MG), Jairo Nogueira, foi um dos que convocou a população à paralisação no dia 14 de junho. “Hoje a educação está dando o seu recado e em 14 de junho os trabalhadores vão fazer uma greve geral contra o governo Bolsonaro. Se você, que está aí no comércio, achava a reforma do Temer ruim, saiba que a reforma do Bolsonaro é muito pior”, disse.

Orientações da UNE para os próximos passos

Para Elida Elena, diretora da União Nacional dos Estudantes que esteve no ato em BH, o corte das universidades teve viés ideológico, pois as primeiras universidades a serem contingenciadas foram as últimas que receberam encontros nacionais da UNE. A entidade se declara abertamente contra a linha política de Jair Bolsonaro (PSL).

A orientação da UNE é a construção da greve geral para o dia 14 de junho e que os estudantes aumentem a divulgação sobre o que fazem dentro da universidade. “A gente tem orientado que haja atividades nas universidades em todas as segundas-feiras para manter o clima de organização e de debates. E que a gente vá para os bairros mostrar nossa produção científica. O Bolsonaro desconhece a educação brasileira, porque a universidade produz sim conhecimento para o nosso povo”, argumenta.

 

Foto: Maíra Cabral

Atos em MG

Segundo levantamento do Brasil de Fato, 34 cidades mineiras tiveram protestos nesta quarta. Alfenas, Almenara, Araçuaí, Araxá, Arinos, Barbacena, Belo Horizonte, Chapada Gaúcha, Curvelo, Diamantina, Frutal, Governador Valadares, Itabira, Itajubá, Ipatinga, Janaúba, Juiz de Fora, Lavras, Mariana, Montes Claros, Muriaé, Nanuque, Ouro Preto, Ouro Branco, Passos, Patos de Minas, Poços de Caldas, São João del Rei, Teófilo Otoni, Ubá, Uberaba, Uberlândia, Varginha e Viçosa. Campi de Institutos Federais (IFs) também organizaram protestos pelo interior do estado.

Edição: Joana Tavares