Tecnologia

Coluna de Ciências | Meu celular me faz mal! O que fazer?

Internet hoje é dominada por megaempresas bilionárias que sabem formas de nos fisgar para vender propagandas

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Nossa geração é a primeira a viver em um mundo totalmente conectado / Foto: Reprodução

Em nosso último artigo discutimos sobre o efeito do uso constante das redes e smartphones sobre a saúde. Vimos que eles tentam prender nossa atenção por meio da emissão constante de micro estímulos, que geram no cérebro uma resposta prazerosa semelhante à criada por certas drogas. Tal mecanismo foi desenvolvido intencionalmente por empresas como o Facebook. A internet hoje é dominada por poucas megaempresas que lucram muito com o seu uso. Elas sabem como funciona o corpo humano e desenvolvem formas de nos fisgar. Tudo, basicamente, pra nos vender propaganda. 

Além disso, os celulares possibilitam que estejamos 24 horas por dia disponíveis. Nossos chefes ou colegas de trabalho podem nos enviar mensagens, delegar tarefas e fazer perguntas coisas o tempo todo. 

Nossa geração é a primeira a viver em um mundo totalmente conectado, que possibilita comunicação e acesso a informação ilimitados. Fomos preparados para lidar com isso? Certamente não. Vejo bem isso ao diariamente competir pela atenção dos alunos com os jogos, músicas, vídeos, memes e mensagens que seus celulares lhes oferecem.

A neurociência sabe que o cérebro não é capaz de se dedicar a mais de uma tarefa ao mesmo tempo. Se alguém tenta, por exemplo, participar de uma aula enquanto conversa no Whatsapp, seu cérebro não se dedicará às duas coisas simultaneamente. O que ele fará é alternar diversas vezes o foco de atenção. Estudos mostram que a retenção de informação e a produtividade são bem menores do que se ele se dedicasse exclusivamente a cada tarefa de uma vez. Além disso, o número de erros e o cansaço resultantes são maiores. 

É preciso compreender como isso tudo funciona para que possamos nos educar e estabelecer uma relação saudável com a tecnologia. Ela veio pra ficar. Cabe a nós saber lidar com ela.

Algumas dicas: limite o tempo que fica no celular diariamente. Estabeleça horários e prazos. Não leia ou envie mensagens de trabalho fora do horário comercial ou nos fins de semana. Desabilite as notificações automáticas. Deixe o celular fora de algumas situações, como reuniões, aulas, jantares ou encontros com amigos.

E o mais importante: observe se ele tem atrapalhado outras atividades, ou se tem interferido em seus relacionamentos pessoais. Se isso estiver acontecendo, é hora de ligar o sinal amarelo e diminuir a sério o uso de seu amiguinho de bolso.

Um abraço e até a próxima!

Renan Santos é professor de biologia da rede estadual de Minas Gerais.

Edição: Elis Almeida