MÍDIA, AGRONEGÓCIO E MINERAÇÃO

Artigo | Ligue os pontos: RBS + Farsul + Copelmi

"O desenho vai mostrar, de braços dados, o mau jornalismo, o agronegócio retrógrado (...) e os interesses econômicos"

Brasil de Fato | Porto Alegre (RS)

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Mineração avança sobre agricultura orgânica no RS / Fotomontagem: Divulgação

Ligue os pontos: RBS + Farsul + Copelmi.

1) Jornalista da RBS TV faz matéria denunciando irregularidades na Reforma Agrária para o Fantástico. Embora o RS não esteja entre os estados com maior número de denúncias (segundo MPF, conforme divulgado na reportagem), a matéria foca apenas no RS e em uma denúncia na Paraíba. Entre as situações no RS, mostra um parque aquático instalado em área que foi da Reforma Agrária, sem esclarecer que se trata de lote titulado, e denúncias em assentamentos estaduais, que não são de responsabilidade do Incra.

2) Secretário Especial para Assuntos Fundiários Luiz Antônio Nabhan Garcia anuncia que, em função das irregularidades divulgadas, assumirá a superintendência regional do Incra no RS o vice-presidente da Farsul, Tarso Teixeira. A ideia é fazer uma “limpeza” nos assentamentos – lembrando: o RS nem figurava entre os estados com mais irregularidades.

3) RBS TV noticia o anúncio, reforça que foram as denúncias que motivaram a troca. Veicula novamente o parque aquático, sem novamente esclarecer que se trata de lote titulado. Repete a denúncia de vendas e pista de motocross em Eldorado do Sul, sem esclarecer que se trata de assentamento estadual, sem gerência do Incra, e acresce queixas de agricultores do PA Apolônio de Carvalho, em Eldorado do Sul – este sim, federal, e que está na mira da exploração de carvão mineral pela Copelmi. Na matéria, as famílias pedem o título da terra – o que , para a Copelmi, facilitaria muito os trâmites: poderiam comprar as áreas dos assentados, ou – melhor dos mundos – obter deles, mediante alguma compensação financeira, as anuências que hoje devem ser dadas pelo Incra, mantendo com as famílias as áreas que serão imprestáveis depois de décadas de exploração.

4) A produção de arroz orgânico no mesmo assentamento, tocada pela maior parte das famílias, não mereceu atenção da RBS, embora tenha sido destaque em outros veículos.

Ligue os pontos: o desenho vai mostrar, de braços dados, o mau jornalismo, o agronegócio retrógrado, que não suporta a agricultura familiar e a produção orgânica, e os interesses econômicos de uma empresa que não está nem aí para o RS, apenas quer lucros.

* Texto enviado por Leonardo Melgarejo, engenheiro agrônomo e atual vice-presidente da regional sul da Associação Brasileira de Agroecologia - ABA.

Edição: Marcelo Ferreira