#13A

Estudantes e trabalhadores defendem a Previdência e a Educação no RS

Diversas cidades gaúchas realizam atos no dia da Jornada de Luta Pela Educação; na capital, ocorrem diversas atividades

Brasil de Fato | Porto Alegre (RS)

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Na Praça da Matriz, servidores públicos também protestavam contra o desmonte do Estado promovido por Eduardo Leite / Foto: Fabiana Reinholz

Os estudantes e trabalhadores gaúchos estão mobilizados em diversas cidades, nesta terça-feira (13), em defesa da educação e da Previdência. No interior, cidades como Caxias do Sul, Alvorada, Sapucaia e Viamão já registraram protestos. Outras, como Pelotas, Rio Grande, Santa Maria e Passo Fundo têm atos confirmados. Os protestos fazem parte da Jornada de Luta Pela Educação, que acontece em mais de 150 municípios de todo o Brasil, convocados pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e com apoio de educadores, centrais sindicais e movimentos sociais. Os principais alvos são o programa do governo federal “Future-se”, que pretende terceirizar o financiamento do setor, os cortes no orçamento da educação e a reforma da Previdência, que está em tramitação no Senado.

Ato unificado às 18h em Porto Alegre

Em Porto Alegre, as atividades iniciaram pela manhã, com o salão nobre da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) lotado para o painel “O Futuro das Universidades Públicas e Institutos Federais no Brasil”. Às 14h, o funcionalismo estadual ocupou a Praça da Matriz, em frente ao Palácio Piratini, sede do executivo gaúcho, em protesto contra os desmandos dos governos Eduardo Leite (PSDB) e Bolsonaro (PSL).

Por volta das 16h, as centrais sindicais se somam ao ato na Praça da Matriz e, às 18h, trabalhadores e estudantes se dirigem o ato unificado, na Esquina Democrática, que vai sair em caminhada pelas ruas da cidade, té a Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

#OcupaMatriz

Protesto na Praça da matriz teve aula públicas sobre democracia e mercantilização da educação e da saúde / Foto: Fabiana Reinholz 

Diversas escolas fecharam as portas em Porto Alegre, em protesto contra o desmonte da educação e da previdência, e também por respeito e salário digno ao funcionalismo público. No levantamento realizado pelo Cpers/Sindicato, por volta do meio dia, mais de 59 escolas paralisaram totalmente ou parcialmente em Porto Alegre. O número representa 40% de adesão.

O grande capital enxergou na educação uma mina de ouro e, com isso, a educação vem sofrendo ataques e sendo precarizada, o que os educadores entendem ser a tentativa da privatização do ensino, avalia a presidente do Cpers, Helenir Aguiar Schürer. Por esse motivo, e em protesto ao descaso com o funcionalismo gaúcho, que amarga 44 meses de salários atrasados e parcelados, o Cpers realizou o #OcupaMatriz, com aulas públicas sobre democracia e mercantilização da educação e da saúde. Mais tarde, os manifestantes se unem ao ato unificado, com início às 18h, na Esquina Democrática, no centro de Porto Alegre.

Sobre o sucateamento da rede pública estadual, Helenir relata que diversas escolas ainda estão sem professores. “Tem turmas que, por exemplo, não tiveram aula de matemática, e já estamos em agosto! Nossa categoria esta extremamente doente, a demissão de professores com depressão grave, com câncer, tudo isso parece de uma insensibilidade muito grande de lá do outro lado da Praça da Matriz”, aponta, criticando o governo estadual. “Estamos na construção da greve, discutindo na categoria. Hoje mesmo temos colegas do interior nas assembleias regionais. Não vemos outra solução. Não sabemos quando teremos condição de fazer, mas será este ano ainda ou no iniciar do ano que vem”, revela.

Manifestantes em frente à sede do governo gaúcho / Foto: Fabiana Reinholz 

O Brasil de Fato também conversou com duas estudantes de agronomia da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS) que foram ao ato convocado pelo Cpers. Uma delas é Diulie Almansa, que entende ser fundamental a união dos estudantes na luta por seus direitos e pela educação, manifestando apoio à luta dos professores estaduais. Aoutra é Fernanda Lopes Leonardi, que relata que, embora não exista um projeto de privatização para a UERGS, todos estão apreensivos com os constantes sucateamentos que a universidade vem sofrente já desde o governo Sartori (MDB).

O professor e médico Alcides Miranda, que falou na aula pública sobre privatização da saúde, afirma que a mercantilização está avançando no Estado, e com impactos negativos. “Não se buscam alternativas para a construção de políticas alinhadas com o Sistema Único de Saúde. Somente alternativas de mercado que, além de terem resultados piores, são ineficientes, não do ponto do vista do orçamento, mas do ponto de vista social, porque essas politicas geram impactos negativos para toda a população”, assinala. “Ato de hoje é momento de mais uma vez as pessoas se olharem e poderem conversar, saberem que não estão sozinhas. Temos que discutir o que precisa fazer e não ficar só na reatividade”.

Futuro da educação em debate na UFCSPA

Seminário aconteceu na manhã desta terça-feira, na UFCSPA / Foto: Divulgação Cpers/Sindicato 

Pela manhã, o painel “O Futuro das Universidades Públicas e Institutos Federais no Brasil” debateu temas como o Programa Institutos e Universidades Empreendedoras e Inovadoras (Future-se) e os desafios pelo qual passa a educação pública brasileira com os constantes ataques do governo Bolsonaro. “O Future-se não é um projeto para a educação. A palavra educação aparece uma vez. Ele é um projeto para a economia, para a economia de recursos do governo federal. Ele é também um projeto ideológico, porque quem pensa, atrapalha”, disse o representante da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Amilton de Moura Figueiredo, representante do IFRS, destacou ainda o papel da EC 95 no desmonte da educação. “Desde 2016, estamos sofrendo com os contingenciamentos e diminuição de recursos, impactando de morte a expansão e a consolidação da rede das Instituições Federais. O MEC empurra as instituições federais para o Future-se, estrangulando o nosso orçamento. Esta é a tática que eles estão utilizando", assinala.

“Eu não quero ver o patrimônio da Universidade Federal de Santa Maria na Bolsa de Valores. Certamente, nenhuma universidade quer se ver neste cenário”, afirma o reitor da UFSM, Paulo Afonso Burmann. Para o presidente da ADUFRGS-Sindical, Paulo Mors, as barbaridades ditas pelo presidente não são feitas no sentido de fazer piada: “Por trás, está o capital rentista. Por trás, está a proposta de aumentar a desigualdade, a exploração dos trabalhadores, a subserviência da Nação”.

Casa cheia para debater o futuro da educação no Brasil / Foto: Divulgação Cpers/Sindicato 

“Enquanto o presidente faz piadas infames, seus ministros estão passando o trator por cima, entregando as nossas riquezas, e combatendo a educação e os educadores. Estamos sendo perseguidos e difamados, como sendo seres perigosos, que doutrinam”, disse Solange Carvalho, representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTEE) e vice-presidente do CPERS. Segundo ela, querem transformar as universidades em meros transportadores de lucros para as Organizações Sociais. “A quem servirá esta universidade, se ela vai perder o caráter social de uma universidade pública? Ela vai servir ao mercado”, afirma.

"Nós, pais e mães pela democracia, ressaltamos que estamos levantando afeto ao discurso extremamente racional em defesa da democracia. E vamos levar afeto às ruas hoje, como sempre levamos desde as primeiras manifestações de 2019”, disse Renato Nakahara, representante da Associação Mães & Pais pela Democracia.

 

 

Edição: Marcelo Ferreira