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Colômbia ameaça Venezuela na fronteira mais militarizada da América do Sul

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04 de Setembro de 2019 às 20:06

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Forças Armadas da Venezuela estão em alerta contra um possível ataque à soberania do país / AFP
Nos últimos dias se percebe uma retomada dos ataques à Venezuela

O clima voltou a esquentar na fronteira mais militarizada da América do Sul. O serviço de inteligência venezuelano identificou a movimentação e treinamentos de grupos paramilitares na região fronteiriça do Departamento de Guajira na Colômbia, além de ter evitado atentados à bomba contra alvos do governo em Caracas.

Nos últimos dias se percebe uma retomada dos ataques à Venezuela que vão desde o criminoso embargo econômico e bloqueio total impostos pelos EUA, passando pela tentativa de isolamento no campo diplomático e agora a ameaça de invasão militar.

Em março de 2018, o Comando Sul dos EUA tornou pública uma informação sobre sua estratégia para a América Latina e Caribe. Nela mencionou que nos próximos dez anos, os principais “perigos” ou “ameaças” identificadas e que devem ser combatidas são Cuba, Venezuela e Bolívia, além da crescente  influência de China e Rússia na região. E a Colômbia passa a ser aliada mais que estratégica dos EUA, principalmente por sua nova condição de país parceiro global da OTAN.

Recentemente o presidente colombiano Ivan Duque, subiu o tom contra o governo de Nicolás Maduro acusando-o de dar apoio aos guerrilheiros das FARC-EP que retomaram a luta armada depois do fracassado acordo de paz assinado em 2016. Dias atrás, o Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, anunciou a criação de uma Unidade para os Assuntos de Venezuela, com sede em Bogotá, o que se constitui na prática como uma plataforma para lançar ações desestabilizadora contra o governo de Maduro.

Diante desse cenário, o presidente Nicolás Maduro, ordenou, nesta terça-feira, 3, que as Forças Armadas da Venezuela fiquem em alerta contra um possível ataque à soberania do país. E anunciou uma série de exercícios militares entre 10 e 29 de setembro nos Estados de Zulia, Táchira, Apure e Amazonas, que fazem divisa com a Colômbia.

Enquanto isso, o Brasil, que outrora atuava decisivamente para moderar e evitar esses conflitos na região, agora é ignorado sistematicamente.

Edição: Vivian Virissimo