PRIVATIZAÇÃO

Editorial Pernambuco | O Governo Bolsonaro quer vender o futuro do país

A região Nordeste é a mais imediatamente prejudicada

Brasil de Fato | Recife (PE)

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Esta agendado para próximo dia 6 de novembro um mega leilão dos poços de Pré-Sal / Ricardo Stuckert

O economista e militante Caio Prado Jr. escreveu certa vez que todo povo e toda nação imprimem, com o tempo, certo sentido em sua História. Podemos dizer que o que melhor caracteriza a evolução de nosso país é a luta entre a afirmação da nação e de seu povo pelos de baixo, ou seja, pelos que foram historicamente alijados tanto da riqueza quanto do poder, e a negação de nossa autonomia enquanto país, defendida pela aliança histórica de nossa classe dominante com o imperialismo. 

Podemos afirmar que tal contradição nos levou, nos dias atuais, a uma crise de destino sem precedentes. A combinação entre as políticas de desmonte do Estado com o caráter autoritário do governo Bolsonaro escancaram o caráter antinacional e antipopular da classe dominante brasileira e sua imensa subordinação aos interesses do capital estrangeiro, particularmente do imperialismo norte-americano. Nesta semana, o governo aprovou a reforma da previdência visando entregar a aposentadoria de milhões de brasileiros à ganância dos fundos de pensão internacionais. O próximo alvo do governo e de seu ministro Paulo Guedes é dar cabo de um ousado plano de transferência do patrimônio público para o setor privado. Não se trata apenas de empresas subsidiárias, mas de setores chave da economia nacional. 

Além disso, já está agendado para o próximo dia 06 de novembro, um megaleilão dos poços de petróleo do pré-sal. Com o argumento de aumento da arrecadação no plano imediato, o governo entrega a preços de banana uma riqueza garantidora de desenvolvimento e futuro para milhões de brasileiros, passando da autossuficiência em petróleo, para a dependência dos grandes monopólios internacionais. O desmonte de estatal anunciado pelo governo vai além dos poços de petróleo, com a venda de refinarias nos estados do Paraná, Rio grande do sul, Pernambuco e Bahia, bem como com o anúncio da privatização da rede de distribuição de combustíveis. Nossa região é a mais imediatamente prejudicada, fazendo com que a Petrobras praticamente desapareça da economia do Nordeste. 

Tais medidas terão impactos catastróficos na vida da classe trabalhadora. A privatização da Eletrobras tende a aumentar ainda mais os altos preços pagos pela energia elétrica. A privatização da Petrobras impedirá que o governo possa regular minimamente o preço do gás e combustíveis. 

Contudo, movimentos populares e sindicatos articulam-se para uma ampla campanha em defesa da Soberania Nacional. No próximo dia 03 de novembro, o Movimento dos Atingidos por Barragens convoca atos em todas os estados para denunciar o entreguismo do governo e fomentar o trabalho de formação com o povo em torno dessas pautas. O principal desafio é dialogar com o povo demonstrando o impacto que a entrega de nosso país terá para a vida de todos os brasileiros e a importância da defesa de um Projeto Popular de Nação. O conceito de Soberania Nacional foi forjado para expressar a capacidade de um povo em decidir sobre seu próprio destino. É justamente a capacidade que temos de decidir sobre os rumos de nossas vidas que querem tirar de nós.

Edição: Monyse Ravenna