NOVEMBRO NEGRO

Marcha da Negritude Unificada da Paraíba acontece nesta terça (19), em João Pessoa

A ação tem o intuito de combater a discriminação e o preconceito, principalmente após a chegada de Jair Bolsonaro

Brasil de Fato | João Pessoa - PB

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Card / Divulgação

A primeira Marcha da Negritude Unificada da Paraíba acontece nesta terça-feira (19), com concentração no Theatro Santa Roza, a partir das 14 horas. Com o tema "Paraíba pela Democracia Contra o Racismo", a ação é construída por dezenas de entidades, movimentos sociais e grupos culturais com temáticas afro-brasileiras. O evento tem como principal meta a continuidade da luta contra o racismo, por igualdade e equidade dos povos, e a denúncia contra o extermínio da população jovem negra no Brasil. A Paraíba é o terceiro estado que mais mata pessoas negras, segundo o Mapa da Violência 2012. 

A marcha acontece no contexto do Novembro Negro, mês da consciência negra e de Zumbi dos Palmares. Segundo Marli Soares, a ação tem o intuito de combater a discriminação e o preconceito, principalmente após a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência da República: “A gente está se organizando desde a vitória de Bolsonaro, que vem incomodando todas as bases de movimentos sociais, então a gente conclama a todas as vítimas das perseguição e dos desmontes do Governo Federal”, explica Marli.

A marcha, que é independente, surgiu a partir de uma necessidade dos grupos e movimentos sociais de formar um coletivo/uma coletiva da negritude unificada no estado. Vários grupos culturais estão confirmadas para se apresentar: Tambores da Lua, Escurinho, Vó Mera e suas Netinhas, Jany Santos e Zé Reinaldo (Coloral),Batalha de Hip Hop do Coqueiral; Slam Paraíba e Preto-A, Cia Freestyle, Grupo de Capoeira Candeias, Grupo de Samba Rola Cansada, ND Negrão

 

Racismo estrutural

A Marcha enfatiza que o racismo é uma forma de violência que se manifesta desde a falta de representatividade de mulheres e homens negros nos espaços sociais e de poder e a falta de respeito por direitos, inclusive de viver. 

De acordo com o Mapa da Violência de 2012, dos cerca de 30 mil jovens entre 15 e 29 anos assassinados por ano no Brasil, 93% são homens e 77% são negros. Segundo o (SIM/MS) e do IBGE,  a taxa de homicídios de negros é de 36 mortes por 100 mil negros. Alagoas é o estado com maior casualidade, seguido pelo Espírito Santo e Paraíba. 

Mulheres negras assassinadas - Os homicídios de mulheres negras sofreram um crescimento de 54,2% entre 2003 e 2013.  Dados do disque 180, apontam que 59,4% dos registros de violência doméstica no serviço referem-se a mulheres negras. Dados do (SIM/MS) de 2012 indicam que as mulheres negras são 62,8% das vítimas de morte materna pela falta de atenção adequada do pré-natal ao parto. 

Mulheres, meninas, jovens e negras, de minorias étnicas, também sofrem violências. Do assédio, abuso na infância, violência sexual, tráfico, exploração, salários baixos e violência doméstica; baseadas em sistemas de desigualdades que se retroalimentam – sobretudo de gênero, raça, etnia, classe e orientação e identidade sexual.

 

A primeira Marcha da Negritude Unificada da Paraíba tem como apoiadoras/es: Movimento de Mulheres Negra da Paraíba; Grupo Mulheres Lésbicas e Bissexuais Maria Quitéria; FOPPIR; RENAFRO; GRUPO IYÁLODÊ;

Fórum Paraibano da Juventude Negra - Fojune/PB; Articulação Brasileira de Mulheres - AMB/PB; Fórum de Mulheres em Luta da UFPB; Movimento de Mulheres Gertrudes Maria - UFPB; Levante popular da juventude; Frente Brasil popular; Frente povo sem medo; SINTESPB; ADUFPB; Comissão de Direitos Humanos do CRP-13; Secretaria de Igualdade Racial do PT; Ouvidoria Geral da Defensoria Pública da Paraíba; Deputado Frei Anastácio; Deputada Estadual Estela Bezerra; Vereadora Sandra Marrocos; Coordenadoria da Igualdade Racial – PMJP; Governo do Estado da Paraíba; Funjope; Candace - Rede Nacional de Lésbicas e Bissexuais Negras Feminista; Axé de Mola

Cordel - Coletivo Representativo dos Docentes em luta;  Vereador Marcos Henriques; Abayomi - Coletiva de Mulheres Negras na Paraiba.

 

Edição: Cida Alves