Opinião

EDITORIAL | A questão social como caso de polícia

“Bolsonaro e Leite são, no fundo, iguais. Ambos cumprem a agenda que passou a vigorar no Brasil após o golpe de 2016”

Brasil de Fato | Porto Alegre

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Bolsonaro e Leite: duas faces da mesma moeda. / Divulgação

Quando Eduardo Leite venceu a eleição para o governo gaúcho, muita gente suspirou aliviada. Menos por sua vitória e mais pela derrota de Sartonaro, a cruza ridícula dos nomes Sartori e Bolsonaro. Afinal de contas, gorara o segundo e catastrófico mandato de José Ivo Sartori após seu pífio governo. A sensação de alívio não tardaria a se dissipar.

Leite assumiu como homem de diálogo, bem ao contrário da postura do antecessor. Procurou partidos e movimentos. A fachada começou a ser corroída com a repressão violenta da Brigada Militar contra manifestantes durante a greve geral de junho, com saldo de muitos feridos. Seguiu-se com a proposta de implodir o Código Ambiental do Estado, afrouxando a legislação para o empresariado se refestelar. Prosseguiu com a derrubada da exigência de plebiscito para privatizar as estatais estaduais. E continuou arrochando e atrasando os salários do funcionalismo.

Agora, quando o ano se aproxima do fim, o governador, sem maior discussão, apresenta um plano de carreira recheado de retirada de direitos. E deseja que os servidores placidamente acatem as suas vontades. Então, o funcionalismo, humilhado e endividado, reage a cinco anos de congelamento salarial e a 47 meses de atraso de vencimentos. A resposta oficial é o gás de pimenta e os cassetetes.

“Bolsonarinho”, chamou-o um deputado da oposição. Ao contrário da primeira e enganosa impressão, Bolsonaro e Leite são, no fundo, iguais. Ambos cumprem a agenda que passou a vigorar no Brasil após o golpe de 2016: assaltar direitos, massacrar os pobres, vender o patrimônio comum da Nação. Para tanto contam com o patrocínio da banca, do latifúndio, da parcela mais atrasada do empresariado e da mídia corporativa que lhes serve de porta-voz. Para todos eles, a questão social no Brasil, mesmo no século 21, continua sendo um caso de polícia.

Edição: Ayrton Centeno e Katia Marko