AGRICULTURA FAMILIAR

No Rio de Janeiro, MST realiza feira estadual da reforma agrária no Largo da Carioca

Assentados e acampados pretendem comercializar mais de 150 toneladas; evento começa na próxima segunda-feira (9)

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Verduras, frutas, legumes, arroz, feijão, fitoterápicos e artesanatos estarão disponíveis para a comercialização / Comunicação MST RJ

A 11° Feira Estadual da Reforma Agrária Cícero Guedes começa na próxima segunda-feira (9) e vai até quarta-feira (11), no Largo da Carioca, centro do Rio de Janeiro. Ao todo, mais de 150 toneladas de alimentos produzidos pelas unidades do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) do estado do Rio serão comercializados nos três dias de evento. 

A feira é uma oportunidade para conhecer o trabalho desenvolvido pelos nove assentamentos e dois acampamentos organizados pelo MST no estado. Uma variedade de frutas, legumes, pães, geleias, arroz, feijão, ervas medicinais, fitoterápicos e artesanatos estarão disponíveis para o consumo. 

Além do evento ser uma aproximação do campo com a cidade, ele também traz o debate sobre a necessidade de reorganização da estrutura fundiária com foco na função social da terra. Em entrevista ao Programa Brasil de Fato RJ, Luana Carvalho, dirigente do MST no Rio, explicou que as políticas públicas não são aplicadas para fomentar a agricultura familiar em áreas da reforma agrária. 

“Há um descaso de todo o poder público, o assentamento é um excelente território que pode contribuir para o desenvolvimento do município, principalmente no interior do estado do Rio de Janeiro e o que a gente vê é essa política perpetuando o descaso com a reforma agrária”, destacou. 

História

Em 2013, a feira foi batizada com o nome de Cícero Guedes, em homenagem ao agricultor e militante do MST assassinado por pistoleiros nas proximidades da Usina Cambahyba, no município de Campos dos Goytacazes, no norte fluminense.

O julgamento do suspeito do mandante do crime ocorreu em novembro deste ano. O acusado foi inocentado pelo Tribunal do Júri. A decisão foi recebida com indignação pelos integrantes do movimento. Cícero coordenava o acampamento Luiz Maranhão e, segundo as investigações, o agricultor foi vítima de uma emboscada.

De acordo com Luana, Cícero foi uma figura central para a consolidação da feira do MST no Rio. Para ela, o legado do sem-terra permanece presente em todo o trabalho do movimento.

“Cícero, para nós, era um militante aguerrido na luta, um exemplo para nós na agroecologia. Ele foi um dos primeiros incentivadores para a realização dessa feira, esteve presente nas primeiras feiras estaduais aqui na capital. Vemos com indignação mais essa injustiça cometida contra nós trabalhadores. Mas a gente acredita que fazendo uma bonita feira, trazendo a diversidade, a produção, a agricultura, a  gente continua esse legado que Cícero nos deixa, a gente faz justiça por Cícero quando apresentamos para a sociedade que os nossos  assentamentos estão produzindo muito mais do que alimentos, estão produzindo vida, diversidade em seus territórios”,  afirmou a dirigente do MST. 

A importância do evento para a cidade do Rio de Janeiro foi reconhecida por meio de duas leis: lei 5999/15, que reconhece como de interesse cultural e social para o município do Rio de Janeiro a Feira Estadual da Reforma Agrária Cícero Guedes, e a lei 6218/17, que insere a Feira Estadual da Reforma Agrária Cícero Guedes no calendário oficial da cidade do Rio de Janeiro no mês de dezembro. Ambas são de autoria do vereador Renato Cinco (PSOL). 

A programação completa do evento pode ser acessada no Facebook.

*Redação: Jaqueline Deister | Entrevista: Denise Viola

Edição: Vivian Virissimo