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Crise na Argentina: Um duro recado sobre as ilusões políticas com ‘frentes amplas’

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Alberto Fernández e Cristina Kirchner no bunker do Frente de Todos após o desolador resultado da eleição primária no último domingo (12). - Luna Maximiliano /Télam
O recado que vem da Argentina serve também de alerta para as forças de esquerda

A crise política na Argentina ganhou mais densidade nesta semana com a carta divulgada pela vice-presidenta Cristina Kirchner na última quinta-feira (1). O documento expressa o sentimento das bases populares que apoiaram a coalizão Frente de Todos nas eleições presidenciais de 2019, em particular dos grupos mais vinculados ao peronismo popular – lideranças sindicais, de piqueteiros, de movimentos de desempregados e comunales -, que criticam as medidas econômicas adotadas pelo governo do presidente Alberto Fernández — identificadas como de cedência ao macrismo neoliberal.

O presidente Alberto Fernández sofreu uma dura derrota nas eleições primárias do último dia 12, o que demonstrou o descontentamento crescente com os rumos do governo nos últimos meses: inflação, desemprego e a relação com o Fundo Monetário Internacional (FMI) são questões que despertam  a ira da povo trabalhador diante da tibieza presidencial.

Mais de dez integrantes do primeiro escalão do governo entregaram os seus cargos, incluindo cinco ministros, e parlamentares peronistas aumentaram o teor das críticas ao presidente Fernández.

A situação atual da Argentina é um reflexo do esgotamento da aplicação do modelo neoliberal, repudiado nas urnas em diversos países da região. A fórmula Alberto Fernández-Cristina Kirchner foi eleita com a expectativa de reverter os anos de desastre neoliberal do governo Maurício Macri.

As tentativas de mitigar a execução do projeto neoliberal não agradaram a maioria dos argentinos e o titular da Casa Rosada amarga forte queda em seus índices de popularidade.

Na carta, Cristina Kirchner insta ao presidente para que respeite e honre a vontade do povo argentino e lembrou que, ao tomar a decisão de propor Fernández como candidato, o fez com a convicção de que era o melhor para o país.

A polarização política em curso na América Latina tem como eixo determinante a luta contra o projeto de recolonização neoliberal — conduzido pelo imperialismo norte-americano em aliança com as classes dominantes locais.

O cenário vivenciado pelos hermanos é um indicador dos limites e do curto prazo de validade das políticas conciliadoras e de frente ampla com segmentos e frações da burguesia liberal.

O recado que vem da Argentina serve também de alerta para as forças de esquerda e populares no Brasil: o combate ao neoliberalismo deve ser o centro da agenda programática e mudancista, uma proposta política capaz de despertar e mobilizar a esperança de milhões de brasileiros, que padecem com o desemprego, a redução de direitos sociais, a fome e o desalento.

Edição: Pedro Carrano