MORADIA

Batalhão de Choque e PM despejam 500 famílias em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense

Moradores denunciam que o mandado judicial era desatualizado; policiais usaram bombas de gás lacrimogêneo

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Moradores foram pegos de surpresa com a reintegração de posse truculenta em favor da empresa Ambev / Divulgação

O Batalhão de Choque e a Polícia Militar cumpriram na manhã desta terça-feira (19) uma ação de despejo na ocupação Pastor Martin Luther King, no KM 32, em Nova Iguaçu. Há dois meses, quinhentas famílias sem condições financeiras da Baixada Fluminense e da Zona Oeste moram no local às margens da rodovia Rio-São Paulo. 

Os moradores foram pegos de surpresa com a reintegração de posse truculenta em favor da empresa Ambev. “Achamos que não iam tirar a gente à força porque estávamos só sentados na resistência. Daqui a pouco um dos policiais pediu para uma grávida sair e deu sinal para começar as bombas de gás lacrimogêneo”, relata Maria*.

Uma apoiadora da ocupação que estava presente e preferiu não ser identificada explica que a ação foi ilegal porque o mandado era desatualizado. “É o mesmo [mandado] que a Defensoria Pública tinha conseguido recolher. O representante da Ambev teria que entrar em contato de novo com a juíza e isso não foi feito”, alerta. 

A maioria das famílias são de trabalhadores informais, muitos deles camelôs ou pessoas que perderam o emprego. “Fiquei desempregado, não tem como pagar aluguel, vim com a família, crianças, todos aqui necessitam de moradia”, diz outro.

Uma liderança religiosa que acompanha a ocupação desde o início tentou mediar a retirada forçada mas acabou sendo agredido por policiais e levado para Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Tratores também demoliram alguns barracos na frente da rodovia. A área abandonada equivale a mais de trinta e cinco campos de futebol.

Os moradores devem recorrer à Defensoria para reverter a decisão. Sem ter para onde ir, alguns estão na rua, outros foram para casa de parentes e vizinhos na região.

Questionada pelo Brasil de Fato a assessoria de comunicação da Ambev respondeu que não comenta sobre a situação do terreno.

Edição: Vivian Virissimo