MOBILIZAÇÃO

Milhares de pessoas se unem em defesa da Amazônia e contra Bolsonaro em Porto Alegre

Manifestação aconteceu nesta sábado (24), na Redenção; diversas cidades do Brasil e do mundo tiveram protestos

Brasil de Fato | Porto Alegre (RS)

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Protesto denunciou a política ambiental do governo Bolsonaro (PSL) e do ministro do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (Novo) / Fotos: Divulgação CUT-RS

Cerca de cinco mil pessoas foram até o Parque da Redenção e participaram do ato contra a destruição da Amazônia, na tarde deste sábado (24), em Porto Alegre. O ato somou forças às mobilizações realizadas entre sexta-feira e domingo em diversas cidades brasileiras e em outras partes do mundo, em protesto contra a política ambiental do governo Bolsonaro (PSL) e do ministro do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (Novo).

O aumento de 82% dos incêndios nas regiões amazônicas, se comparado ao mesmo período do ano passado, segundo dados do INPE, tem comovido a opinião pública. Após forte repercussão internacional, as mobilizações foram sendo organizadas através das redes sociais. Nos últimos dias, líderes políticos e personalidades artísticas manifestaram indignação diante do cenário de destruição observado na região.

Presidente e ministro foram duramente criticados pelos manifestantes 

Na capital gaúcha, os manifestantes se reuniram por volta das 15h nos arcos do Parque da Redenção, empunhando cartazes que chamavam a atenção para a proteção da maior floresta do mundo, que sofre com o desmonte das políticas públicas de preservação ambiental. Entre as manifestações, estavam o pedido de saída do ministro e denúncias sobre o “ecocídio” que o governo vem promovendo em prol de setores que se aproveitam da devastação da Amazônia. O protesto cruzou o parque e tomou as avenidas João Pessoa e Osvaldo Aranha, finalizando novamente na Redenção.

Além da pauta ambiental, foram registradas faixas de “Lula livre” e contra a reforma da Previdência. “Estão queimando não só a floresta, mas também estão queimando a aposentadoria e as leis trabalhistas, estão queimando a educação, estão queimando as empresas públicas. Essa gente não tem coração nem responsabilidade com o povo brasileiro e, por isso, temos que estar indignados”, afirmou o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo.

Outras pautas também estiveram presentes no ato 

O diretor do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), Adelto Rohr, disse que “essa manifestação é a defesa do nosso planeta. É aqui que nós temos que ficar e viver e, por isso, temos que defendê-lo”. Ele lembrou que “o projeto do atual governo começou com mudanças na demarcação das terras indígenas e com a expansão do agronegócio. O dinheiro está por trás de tudo isso”

“É uma luta em defesa da vida”, disse o ex-ministro Miguel Rossetto ao salientar que “as chamas da floresta amazônica tocaram a todos nós”. Segundo ele, “a indignação e a perplexidade nos fazem estarmos juntos”. Segundo ele, “estamos vivendo dramaticamente as consequências de um governo irresponsável que promove o ódio e a destruição dos direitos do trabalho, da vida e da natureza. É um presidente que promove a morte”.

Para a deputada estadual Sofia Cavedon (PT), “a Amazônia queima de forma devastadora, muito devido ao retrocesso na política ambiental implantada pelo governo Bolsonaro”. A representante da Marcha Mundial de Mulheres do Rio Grande do Sul, Maria do Carmo Bittencourt, enfatizou que “a Amazônia é uma questão de soberania nacional e defesa dos povos da floresta”. Ela destacou que “as mulheres devem ser livres e os povos têm direito à soberania”.

Manifestantes tomaram conta do Parque da Redenção 

Dia do Fogo

No final de semana do dia 10 de agosto, fazendeiros da região amazônica promoveram um “dia do fogo” ao longo da BR-163, no sudoeste do Pará. Conforme o jornal local Folha do Progresso, a ideia era chamar a atenção do governo. “Precisamos mostrar para o presidente que queremos trabalhar e único jeito é derrubando. E para formar e limpar nossas pastagens, é com fogo”, afirmou ao jornal um dos organizadores da manifestação.

No sábado (10) a principal cidade da região, Novo Progresso, teve 124 registros de focos de incêndio, aumento em 300% em relação ao dia anterior. No domingo, foram 203 casos. Outra cidade bastante atingida foi Altamira, com 194 casos no sábado e 237 no dia seguinte.

A fumaça dos incêndios ocorridos ultrapassou limites geográficos e atingiu todo o continente. Na última segunda-feira (19), chegou com intensidade à São Paulo, fazendo o céu de várias cidades escurecer no meio da tarde. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) confirmaram a associação do fenômeno às queimadas, com o registro de fuligem tóxica nas chuvas que caíram.

Com informações da CUT-RS e do Sul 21

Edição: Marcelo Ferreira