Pós-golpe

Marcha contra Temer leva mais de 35 mil para a Avenida Paulista

Atos contra o presidente interino ocuparam as ruas de outras cidades, como Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre

São Paulo (SP)

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O encerramento aconteceu às 20h30 com uma pixação dos vidros do escritório da Presidência da República / Gisele Brito/Brasil de Fato

Na noite desta quinta-feira (12), cerca de 35 mil pessoas se manifestaram na Avenida Paulista, em São Paulo (SP), contra o afastamento da presidenta Dilma Rousseff e a posse do presidente interino Michel Temer. A concentração do ato começou às 17h no vão do Museu de Arte de São Paulo (Masp) e, por volta das 18h30, seguiu até o escritório da Presidência da República, em frente ao metrô Consolação. O ato foi chamado pela Frente Povo sem Medo. 

Apesar do grande número de pessoas, o clima era de melancolia. O movimento manteve as características culturais de seus atos, com músicas e intervenções artísticas políticas. O ápice foi a queima de um pato de plástico que fazia alusão ao símbolo criado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na sua campanha pelo impeachment. A Polícia Militar (PM) cercou toda o perímetro em frente à sede da entidade para evitar a entrada dos manifestantes.

O carro de som foi animado pela Liga do Funk, mas havia pouca conversa entre as pessoas. Os sentimentos de esperança e de festividade, que predominavam nos protestos que visavam impedir o que aconteceu hoje, desapareceram no ato desta quinta. A postura, porém, permanecia de luta e resistência.

Havia muitos vendedores ambulantes circulando entre a multidão. Alguns deles vendiam marmitas para os trabalhadores que vieram direto do trabalho, sem jantar.

Um exemplo é Josué Rocha, membro do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que faz parte da Povo sem Medo. Ele afirma que o "trancamento foi só um recado". "Se Temer pensa que vai se sentar na cadeira e acabar com tudo que ele quiser, ele está muito enganado. De onde veio 35 mil pessoas vêm muito mais", declarou à reportagem.

O encerramento aconteceu por volta das 20h30, com uma pixação dos vidros do escritório da Presidência da República, que fica perto do metrô Consolação. Neste momento, houve explosão de uma única bomba, mas não foi possível identificar se foi jogada pela PM ou pela segurança do local. Ninguém se feriu.

Outras capitais

Com o mesmo objetivo de deslegitimar o governo interino, o Levante Popular da Juventude promoveu escrachos em frente às sedes do PMDB, partido de Temer, nas cidades de Recife (PE), Aracaju (SE), Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MG), João Pessoa (PB) e Cuiabá (MT).

Na capital gaúcha, cerca de 1200 pessoas que participavam da manifestação na região da Cidade Baixa foram atacadas com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo.

Edição: Camila Rodrigues da Silva