BELO HORIZONTE

Pelo direito de ser quem é

LGBTs vão às ruas contra a violência e o preconceito

Belo Horizonte

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Em 2015, 318 pessoas LGBTs foram assassinadas no Brasil / Amélia Gomes

A cada 28 horas uma pessoa lésbica, gay, bissexual, travesti ou transexual é assassinada no Brasil. Em 2015, de acordo com dados do Grupo Gay da Bahia, 318 pessoas LGBTs foram mortas no país por causa do preconceito. Para combater os ataques morais, a discriminação e a violência, cerca de 350 manifestantes se reuniram, em Belo Horizonte, no último sábado (14) para denunciar essa violência. 

A III Marcha Contra LGBTfobia teve como mote a despatologização das identidades trans e travestis, ou seja, que essas identidades deixem de ser consideradas doenças. Para Thiago Alves de Melo, membro do Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais (CELLOS), esse grupo é ainda mais discriminado. "As travestis e transexuais são as maiores vítimas desses crimes fatais. A violência generalizada, que assassina por discriminação tem que acabar”, ressalta. 

Os manifestantes também reivindicaram a aprovação do Projeto de Lei (PL) 1199, de 2014, que trata da inclusão e uso do nome social de travestis e transexuais nos registros municipais, e do plano estadual de educação com o respeito à orientação sexual e identidade de gênero. Para os ativistas, essas demandas são fundamentais para que os sujeitos exerçam sua cidadania.

Fora Temer

O presidente interino, Michel Temer, foi muito criticado pelos manifestantes durante a marcha por liderar um governo contrário à agenda da diversidade sexual.

Para Giselle Maia, do Levante Popular da Juventude, é fundamental que a população LGBT tome as ruas por direitos e em defesa da democracia. "Nesse cenário de golpe, com a extinção do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos, fica evidente que as minorias serão as mais prejudicadas. Já avançamos em muitos dos nossos direitos e não vamos aceitar retrocessos", afirma.

Dia internacional de luta

Em todo o mundo, 17 de maio é um dia de luta pelos direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis. Nesta data, em 1990 a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças (CID).

Até aquele momento, a homossexualidade era considerada pelo organismo internacional “distúrbio mental, vício, doença, patologia” e classificada pelo termo “homossexualismo”, que indica uma patologia. No entanto, a transexualidade ainda hoje é tida pela OMS como “disforia, transtorno mental, distúrbio de gênero” na CID.