Ocupação de escolas

Por falta de merenda, estudantes secundaristas ocupam primeiro colégio no Paraná

O Colégio Gerardo Braga foi ocupado por cerca de 400 estudantes nesta quarta-feira (18), em Maringá

Redação (PR)

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Antes da ocupação, cerca de 500 estudantes protestaram contra o governador Beto Richa (PSSB) e a vice-governadora Cida Borghetti (PP), pelo desvio de verbas que seriam destinadas a escolas do Paraná, esquema investigado na Operação Quadro Negro / Reprodução Facebook

Cerca de 400 estudantes secundaristas ocuparam, nesta quarta-feira (18), o Colégio Estadual Gerardo Braga, localizado em Maringá, no interior do Paraná, após realizarem uma manifestação contra o governador Beto Richa (PSDB) e a vice-governadora Cida Borghetti (PP). Segundo o presidente da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes), Matheus dos Santos, a ação tem como objetivo denunciar a falta de merenda suficiente nas escolas e a má qualidade dos alimentos que chegam.

A decisão foi tomada após uma assembleia de estudantes vindos de diversos colégios da região. Segundo informações da Upes, a Polícia Militar, a administração do colégio e o Núcleo Regional de Educação (NRE) de Maringá consideram a ação legítima e afirmam que respeitarão a mobilização. Em contrapartida, os estudantes se comprometem a não interferir em locais administrativos do colégio, como na diretoria. 

“Outra pauta que temos é o impulsionamento da Operação Quadro Negro. Beto Richa desviou dinheiro das escolas para a campanha eleitoral, além de outras atrocidades”, denuncia o estudante.

A operação citada investiga, desde julho de 2015, o desvio de pelo menos R$ 20 milhões que seriam destinados a obras em escolas estaduais paranaenses. A alta cúpula da política no estado é suspeita de estar envolvida no esquema.

Conquistas

O Colégio Gerardo Braga, o mais antigo da cidade, possui um histórico recente de conquistas. Em 2015, o governo estadual ameaçou fechar a escola, mas a decisão foi barrada devido a uma mobilização da comunidade escolar, motivada pelo grêmio estudantil.

“Nossa ocupação não é simplesmente para ocupar, mas para propor uma nova escola. Estamos buscando algumas alternativas para continuarmos as aulas, mas por meio de atividades culturais, debates de conjuntura e outras dinâmicas”, explica Matheus. Os estudantes afirmam que irão se manter mobilizados e serão mantidos por meio de doações e não do estoque de merenda que resta no local.