Ocupação

Polícia realiza despejo sem avisar em área reservada para reforma agrária em MG

Esta é a segunda ação sem negociação na mesma região; MST promete reocupar local

Brasil de Fato

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Ação da PM em acampamento na Usina Ariadnópolis / MST-MG

A ocupação da antiga usina Ariadnópolis, em Campo do Meio (MG), foi alvo de despejo na manhã desta sexta-feira (20). As cerca de mil famílias sem terra não foram avisados da reintegração de posse pela Polícia Militar de Minas Gerais. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) aifma que pretende reocupar a área.

Segundo os relatos, os arredores da fazenda foram sitiados por centenas de policias da tropa de choque e da cavalaria, que impediram a entrada e saída de moradores da área. “A polícia esperou os trabalhadores saírem de suas casas para a colheita do café, para cercar todas as estradas e realizar o despejo”, diz nota do movimento.

Preparação da ação da PM durante a ocupação do MST/ Foto: MST - MG

Uma das acampadas contou que a polícia agiu com violência, agrediu mulheres com socos na frente de crianças, “usaram da violência, bateram em nossos companheiros, todos que tentaram resistir apanharam”, afirmou a acampada que, por questão de segurança, preferiu não se identificar.

Ela comentou que uma das companheiras de ocupação foi agredida por dois policiais. “Ela foi violentamente abordada por dois policiais com gravatas no pescoço, levou socos no rosto. Eu mesmo levei duas cacetadas e a cavalaria passou por cima de nós, de nossas crianças. Eles na usina e estão montando a base de resistência deles, nós estamos para o lado de fora, sem água e sem alimentação por enquanto”.

A usina

A área foi decretada para fins de reforma agrária no dia 25 de setembro do último ano, por ser considerada de “interesse social”. A ação foi interrompida temporariamente por uma liminar da desembargadora Mariângela Meyer, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) em outubro do mesmo ano. O decreto, porém, não foi negado.

Um novo decreto previa a desapropriação de uma área da fazenda, mas outro desembargador do TJMG, Rogério Medeiros Garcia, também lançou uma liminar para interromper o ato do governo.  Medeiros é conhecido por ter dito ao jornal Folha de S.Paulo que defensores de direitos humanos deveriam “adotar um bandido”.

Segundo o movimento, dívidas da fazenda com o Estado são três vezes maiores do que o seu valor real. Em 2009, a dívida era de R$ 273 milhões, informa um levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

“Enquanto o conflito existir, ocupar é o dever dos trabalhadores, o conflito não se encerra com despejo”, afirmou Silvio Neto, da direção estadual do MST.

 

Ocupação da área em 2011 / Foto: MST-MG

Outros despejos

Este não é o primeiro despejo ilegal na região, no último domingo (15), a fazenda Almenara, no município de Jequitinhonha (MG), também sofreu com a repressão policial. Em nota, o MST denuncia que os agentes agrediram moradores durante o despejo.

 “Relatos das famílias denunciaram ações covardes por parte da polícia, que, segundo integrantes, maltratou idosos, crianças e fez com que as famílias abandonassem a área a pé, sendo obrigadas a caminhar até a cidade por cerca de 40 km”, afirma a nota.

Segundo a mesma nota, os policiais disseram às famílias que por o PT não estar mais no poder, as ocupações do movimento irão acabar.

“O MST repudia a ação dos policiais, e vai recorrer para que eles sejam julgados por abuso de poder e ilegalidade, visto que os mesmos agiram com violência e sem base jurídica para realização do despejo”, expõe a nota.

Outro lado

Procurada pela redação, a PM de Minas Gerais não comentou o caso.