Coluna

Políticos retrógrados baixam o nível contra jovens estudantes

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03 de Novembro de 2016 às 15:19
Reforma educacional de Temer é criticada por amplos setores da sociedade brasileira / Pedro França/Agência Senado
Senador José Medeiros é exemplo típico do baixo nível atual da política

Alguns políticos brasileiros não se conformam com o despertar político dos jovens que ocupam mais de mil escolas em todo o país para protestar contra a PEC, agora 55, em tramitação no Senado, que congela os gastos públicos por 20 anos e o projeto de reforma educacional do governo golpista e usurpador de Michel Temer (PMDB).

Um desses políticos que se enquadra no inconformismo contra os jovens é a figura deplorável do senador José Medeiros (PSD-MT). Ele, que não teve a coragem de participar de uma audiência pública em que esteve presente a brilhante menina de 16 anos, Ana Julia, do Paraná, ofendeu os jovens estudantes brasileiros dizendo no baixo nível que o caracteriza, que “boa parte dos estudantes que ocupa as escolas o fazem para fumar maconha”.

E foi mais adiante no seu verdadeiro vômito verbal dizendo que os jovens não conheciam o projeto educacional que ele, José Medeiros, defende ardorosamente.

O referido senador é exemplo típico do baixo nível atual da política brasileira, cujos eleitores estão sendo submetidos diariamente a uma lavagem cerebral pela mídia conservadora. Daí o surgimento de figuras como José Medeiros, que se recusa a debater com jovens, o que ficou claro em sua ausência da audiência pública no Senado para debater temas como a PEC 55 e a reforma educacional de Michel Temer.

Medeiros é defensor da PEC 55. É um direito que o assiste como retrógrado que é o de defender o projeto, mas é lamentável é que proceda da forma que procedeu quando se vê contestado em sua opinião. Esta, vale sempre repetir, é o retrato predominante no Parlamento brasileiro, que tem o domínio de figuras como o senador mencionado.

Ainda mais estreitezas

Mas se os leitores pensam que a estreiteza e o sectarismo em relação às opiniões contrárias se resume ao Senador José Medeiros, enganam-se. Pode ser mencionado o exemplo do prefeito eleito da cidade do Rio de Janeiro, o bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, Marcelo Crivella (PRB). 

Mais cedo do que se poderia imaginar, o político eleito já disse que a sua vitória no Rio foi uma demonstração de repúdio dos eleitores à legalização do aborto, à liberação das drogas e à discussão da ideologia de gênero nas escolas. São bandeiras levantadas pela sua Igreja e que o candidato na campanha dizia que não se movia por ela.

E tem mais, os temas levantados agora por Crivella têm o aval de seu parceiro obscurantista, bispo Malafaia, mas não foram objetos da campanha eleitoral, até porque não são para serem decididas pelo município. Usar tais argumentos agora é coisa para agradar a sua base pentecostal, que pode ter decidido o pleito.     

Se alguém tinha dúvidas, a verdadeira face de Crivella vai ficando mais clara. O que falou agora é apenas o início de uma jornada, que durante a campanha manifestou-se também através de 41 promessas das mais variadas.

Não contente com o que já falou, Crivella foi mais adiante ao assinalar que há convergência com ideias religiosas dos vencedores das eleições municipais em São Paulo e Belo Horizonte, que se elegeram com plataforma da negação da política.

Crivella se alinha ao esquema neoliberal radical defendido também por João Dória (PSDB) e ao que parece por Alexandre Khalil (PHS).

Da mesma forma que o seu partido, o PRB, Crivella defende com unhas e dentes a tal PEC 55 que tramita no Senado e que pretende engessar por 20 anos os gastos públicos e que impedirá maiores avanços nas áreas da saúde e educação. 

Dentro de pouco tempo, não percam por esperar, vingando mesmo a PEC 55, como tudo leva a crer, inclusive em função de sucessivos rangos indigestos no Palácio do Planalto, sobretudo nas áreas de saúde e educação ficará mais do que claro que as promessas de campanha feitas por Crivella foram apenas para iludir incautos. Vale sempre repetir que é tudo uma questão de tempo.

Resposta internacional a proposta do governo golpista

E, para finalizar, a imprensa, não a eletrônica, já noticia que a chanceler da Venezuela, Delcy Rodríguez, avisou que não reconhece o governo de Michel Temer, porque, segundo ela, “houve um golpe de Estado no Brasil, que substituiu a vontade de 54 milhões de pessoas que votaram em Dilma Rousseff”.

Ela assim respondeu a uma proposta apresentada pelo governo brasileiro na ONU em defesa do processo de referendo revogatório do mandato de Nicolás Maduro, secundada pelos Estados Unidos, e que não será considerada pela Venezuela.

Delcy Rodrigues complementou afirmando que "esse governo golpista é formado por um grupo de corruptos. É um governo vergonhoso para a nossa América".

Essa parte da resposta foi omitida pelos telejornalões, que diariamente divulgam petardos para comprometer o governo de Nicolás Maduro com o visível objetivo de a opinião pública brasileira se voltar de forma radical contra a Venezuela.  

A mídia conservadora simplesmente repete o que outras mídias latino-americanas agrupadas no chamado Diário das Américas, como O Globo, o Estado de S.Paulo, Clarin, El Mercúrio, entre outros, repetem diariamente.