América do Sul

Colômbia: em carta aberta, FARC pedem que Santos aja contra assassinatos de líderes

Guerrilha destaca 4 atentados contra lideranças comunitárias somente neste fim de semana e querem fim de paramilitarismo

Opera Mundi

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Juan Manuel Santos, durante anúncio do cessar fogo, em Bogotá / Juan David Tena / SIG

As FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) divulgaram na última segunda-feira (21) uma carta aberta ao presidente colombiano, Juan Manuel Santos, em que pedem que o mandatário aja contra “novo genocídio” de líderes sociais no país e implemente “já” o acordo sobre garantias de segurança, parte do pacto negociado entre guerrilha e governo.

A carta das FARC se dá após um fim de semana em que foram registrados quatro ataques contra lideranças camponesas em diferentes cidades da Colômbia em 48 horas, que acabaram com duas pessoas mortas e duas feridas. Além disso, o jornal colombiano El Espectador divulgou neste domingo (20/11) que, ao longo do ano de 2016, houve 70 assassinatos de líderes sociais e defensores de direitos humanos, além de 279 ameaças e 28 atentados contra estas lideranças comunitárias.

Segundo o documento a que o jornal teve acesso, 30 destes assassinatos aconteceram após o início do cessar-fogo bilateral e definitivo entre o governo e as FARC, em 29 de agosto. “A ação paramilitar no território nacional se ergue como a principal ameaça ao processo de paz entre a insurgência armada das FARC e o governo nacional e os diálogos com a insurgência do ELN [Exército de Libertação Nacional, segunda maior guerrilha colombiana após as FARC] que estão a ponto de iniciar em sua fase pública”, diz o documento.

Em sua carta, as FARC afirmam que “um novo genocídio está em marcha contra líderes sociais e camponeses” e recordam o extermínio por paramilitares de 3.000 militantes do partido de esquerda União Patriótica (UP) em 1990.

“Quem está por trás destes assassinatos seletivos e de caráter político são os mesmos que colheram dinheiro, poder e privilégios graças à guerra fratricida que por mais de 52 anos sangrou o país”, sustenta a guerrilha. “São os mesmos para quem não há nem haverá acordo de paz que os satisfaça, por melhor que ele seja, porque o que querem é que a guerra continue, para seguir acumulando mais privilégios e poder.”

Para as FARC, “ninguém se explica por que, se há determinação de acabar com a guerra suja, não se tomam as decisões que efetivamente desarticulem o paramilitarismo”. A guerrilha também diz a Santos que, “se está comprometido com a paz na Colômbia, atue em consequência, colocando um ponto final a este extermínio de inocentes cujo pecado parece ser seu pensamento crítico e visão de um novo país, implementando já o acordo sobre garantias de segurança” previsto no pacto negociado pelas FARC e o governo em Havana, Cuba. 

As duas partes chegaram a um novo acordo no último dia 12, após a rejeição popular ao primeiro texto no referendo de 2 de outubro, incorporando algumas das propostas dos grupos que se opuseram ao acordo inicial. O governo colombiano já declarou que pretende implementar o novo acordo o mais rápido possível devido à "fragilidade" do cessar-fogo bilateral. Santos irá apresentar o novo pacto ao Congresso na quarta-feira (23/11), para que ele seja referendado pelos parlamentares nas próximas semanas.