Coluna

Geddel, secretário de Temer, foi um dos anões do orçamento

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22 de Novembro de 2016 às 16:24
Gedell Vieira Lima foi mantido no cargo de Secretário de Governo pelo governo golpista / Divulgação
Político baiano foi um dos anões do orçamento uma jogada de 20 anos atrás

Continua a repercutir o bate boca entre o Ministro do governo golpista Michel Temer, o baiano do PMDB Geddel Vieira Lima e o agora ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, que acusa o protegido do presidente usurpador de tê-lo pressionado para liberar um prédio acima do gabarito permitido de 13 andares, localizado numa área tombada em Salvador.

O golpista Temer decidiu manter Geddel no cargo de Secretário de Governo, mesmo a maioria dos integrantes da Comissão de Ética da Presidência da República ter votado pela abertura de procedimento investigativo para apurar se o ministro golpista violou a legislação sobre conflito de interesse.

O político baiano, muito ligado ao golpista Temer, foi um dos anões do orçamento, uma jogada de 20 anos atrás, no qual políticos manipulavam emendas parlamentes com o objetivo de desviar os dinheiros através de entidades sociais fantasmas ou com a ajuda de empreiteiras. Isto é, picaretagem extremada, hoje praticamente esquecida pelos meios de comunicação conservadores apoiadores do governo usurpador de Michel Temer.

Na Bahia, até os postes conhecem jogadas de Geddel e por isso o comentário corrente por lá é de que não se exclui a possibilidade do político peemedebista ter sido contemplado pela construtora do tal prédio com um apartamento exatamente para conseguir que fosse revogado o veto do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Por isso e outras cositas mais é necessário que se investigue a fundo esta verdadeira novela que já abala o governo golpista relativa à construção de um prédio acima do gabarito permitido na área que dá vista para a baía de Todo os Santos.

O Brasil inteiro espera que se faça essa investigação, até porque se nada for feito nesse sentido vai pairar a dúvida que na verdade deixa mal o próprio Geddel, um dos políticos mais ligados ao governo golpista e que se empenhou a fundo pela aprovação do golpe parlamentar que acabou confirmando o impedimento da Presidenta eleita Dilma Rousseff.

Dúvida paira sobre o substituto de Calero

No Ministério da Cultura confirma-se a nomeação do substituto de Calero. Trata-se do dirigente do PPS, o ex-integrante do antigo PCB, também conhecido como Partidão, Roberto Freire. Sobre ele paira uma interrogação, conforme revelou há tempos o jornalista Sebastião Nery, conhecedor profundo dos bastidores da política brasileira.

Nery assinala que em 1970, ou seja, em plena vigência do famigerado AI-5 sob o governo do general de plantão Garrastazu Médici, considerado o mais cruel dos ditadores, Roberto Freire foi nomeado Procurador do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).

Não é qualquer cargo o de Procurador, ainda mais do INCRA. Pois bem, é no mínimo, estranho, como lembrou Sebastião Nery, que um militante do Partidão naquela época conseguisse um atestado de ideologia, como era exigido durante a vigência da ditadura que se abateu no Brasil a partir de abril de 1964.

O tempo passou e lá se vão 46 anos. Hoje o PPS abriga ex-militantes comunistas, inclusive tendo como presidente nada mais nada menos do que Freire, um aliado de primeira hora do governo golpista de Michel Temer e que, ainda segundo lembrou Nery, aplaudiu José Serra quando o atual Ministro golpista do Exterior, que, conforme revelou o site WikiLeaks, faz o jogo da empresa petrolífera Chevron, pedia a derrubada do Presidente Lula.

Nos dias de hoje pode-se até entender muitos fatos estranhos que aconteciam naqueles anos tenebrosos da história brasileira, que alguns extremistas de direita, fascistas mesmo, como aqueles que invadiram o plenário da Câmara dos Deputados, pedem a volta (da ditadura).

Aliás, vale mencionar uma pergunta que não quer calar: que fim levaram os integrantes do grupo de invasores da Câmara dos Deputados e qual o motivo de a mídia conservadora não mais falar sobre o tema. Até porque seguem pairando algumas dúvidas, como, por exemplo, quem os bancou e se pelo menos os cabeças do ato criminoso serão punidos?