Coluna

Novo Ministro da Cultura só atenderá aos interesses do mercado

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30 de Novembro de 2016 às 16:29
Roberto Freire demonstrou que é um neófito em matéria de Cultura / Reproduçao
Roberto Freire, concedeu uma entrevista no programa Roda na última segunda-feira

O Ministro da Cultura, Roberto Freire (PPS), concedeu uma entrevista no programa Roda Viva na última segunda-feira (28). Inclusive, por ter se transformado, nos últimos tempos, em um convescote de defensores do ideário do PSDB, o compositor Chico Buarque de Holanda impediu que sua composição continuasse a identificar este programa da TV Cultura de São Paulo.

Durante a entrevista, Freire demonstrou que é um neófito em matéria de Cultura e numa resposta a uma pergunta chegou a mencionar a privatização das telefônicas como parâmetro do que pode ser feito na área da Cultura. Demonstrou concretamente que entende a Cultura a partir dos interesses do mercado e que não é mesmo a sua área.

Roberto Freire assumiu o cargo depois da saída de Marcelo Calero (PSDB), que acusa Geddel Vieira Lima (PMDB) e o próprio golpista Michel Temer de pressioná-lo no sentido de aceitar a revisão de um parecer do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) contra a quebra do gabarito de um prédio localizado numa área nobre e nas proximidades de construções tombadas em Salvador.

Como se sabe, Geddel adquiriu um apartamento no tal prédio e queria se aproveitar do cargo de articulador político do governo golpista na Secretaria de Governo para defender interesse particular.

O caso foi investigado pela Polícia Federal e agora vai depender do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot para abrir processo contra Geddel, o amigão de Michel Temer. Freire foi cauteloso preferindo não aprofundar o tema, mas deu a entender que respeitará as decisões do IPHAN. Vamos ver.

Ninguém perguntou a Freire como ele conseguiu ser nomeado Procurador do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), em 1970, ou seja, em pleno governo repressor do general de plantão Garrastazu Médici, como lembrou o jornalista Sebastião Nery, conhecedor profundo dos bastidores da política brasileira. Fica no ar a seguinte pergunta: como um militante do PCB (Partidão) na época em que se exigia atestado de ideologia conseguiu ser nomeado no governo mais repressor de todos no pós-abril de 1964?

O governo golpista de Michel Temer em pouco tempo demonstrou na prática que mistura as bolas, ou seja, defende interesses pessoais de ministros, como no caso de Geddel, mas acabou mudando de posição levando em conta a reação da opinião pública. E ainda declarou na maior cara de pau que demorou a se desfazer de Geddel. Por estas e outras, fica cada vez mais claro, principalmente para quem tinha dúvidas, que depois de pouco mais de seis meses este governo golpista não se sustenta e também não tem mesmo condições de continuar.

O PSOL apresentou na Câmara dos Deputados o pedido de impeachment do golpista Temer, mas, segundo analistas, dificilmente o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), acatará o pedido. O patético presidente da Câmara dos Deputados, pressionado pela bancada evangélica, prefere criar uma comissão para analisar decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a questão do aborto.

E a saída para esse impasse não é esperar para, a partir de janeiro, o Congresso eleger um novo Presidente da República, como visivelmente desejam os setores ainda mais radicais defensores do estado mínimo e a revogação das conquistas sociais.

Para evitar o que seria uma excrescência como a eleição indireta de um Presidente da República por um Congresso totalmente desmoralizado, a saída seria a aprovação de um projeto estabelecendo eleição direta. Para isso acontecer será necessário que o povo brasileiro pressione nesse sentido. E não seria nada mau se fosse também decidido que a patota do caixa dois fosse chutada e em seu lugar o povo brasileiro, através do voto, escolhesse os novos representantes.

A hora, portanto, é de evitar todas as formas que os golpistas de todas as matizes se fortaleçam com seus projetos que levarão o Brasil irreversivelmente para o abismo com Temer ou através de um golpe dentro de um golpe.