VOZ DOS ESTUDANTES

ARTIGO: Ocupação é nossa ferramenta de luta

As escolas e universidade são nossos espaços de aprendizagem e de resistência

Rio de Janeiro (RJ)

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Estudante faz balanço das ocupações e diz que essa é uma forma de protesto legítima / Foto: Alunos do Colégio Pedro II

Diversos movimentos sociais, principalmente os que lutam por moradia ou por terra, já utilizavam as ocupações como forma de luta e resistência há muito tempo. O que nós, estudantes, fizemos foi nos apropriar desse mecanismo para aplica-lo dentro das nossas reivindicações enquanto Movimento Estudantil.

Esse movimento que começou nas escolas de São Paulo, em 2015, ressurgiu esse no Paraná. Chegamos a mais de 850 escolas e 200 universidades ocupadas por estudantes que lutam contra a MP da reforma do ensino médio e contra o congelamento dos investimentos em serviços públicos previstos pela PEC 241/55. A onda das ocupações se espalhou por todo o Brasil, das escolas as universidades, trazendo a juventude como um sujeito ativo contra as arbitrariedades do governo golpista.

No Brasil, as ocupações de escolas começaram com os secundaristas de São Paulo que, no final do ano de 2015, ocuparam cerca de 200 escolas públicas contra o projeto de reorganização escolar do Governo do Estado - Geraldo Alckmin (PSDB) - que previa o fechamento de diversas escolas. Foi um movimento vitorioso, Alckmin teve que suspender reorganização escolar!

Nesse ano de 2016, tudo mudou. Nosso país passou por um golpe de Estado, retirando uma presidenta eleita democraticamente pelo voto popular para colocar em seu lugar um presidente que nós nunca elegemos. O governo Temer, que consideramos ilegítimo, já começou aplicando medidas de retirada de direitos sociais, em especial à educação pública. A MP do ensino médio, o PL “Escola sem Partido” e a PEC 241/55 são exemplos dessa política de ruptura com os direitos constitucionais.

Além de ser um espaço de luta e resistência, as ocupações são um espaço de muita solidariedade, aprendizado e construção coletiva. Elas têm funcionado como polos de mobilização e luta, construindo diversas atividades para debater com a sociedade como essas medidas prejudicam nossas vidas. É um movimento que transformou a vida e o pensamento de muitos jovens, se mostrando como um instrumento potente de organização. Foi essa luta que ressignificou os espaços de aprendizado, nos trazendo uma perspectiva nova sobre onde estudamos e nos colocando como sujeitos construtores desses espaços.

No final de novembro, as ocupações do Brasil inteiro seguiram em caravana para Brasília para pressionar os senadores na votação da PEC 55 em primeiro turno. Do Rio de Janeiro, saíram mais de 20 ônibus com representação de todas as Universidades ocupadas. Tínhamos como objetivo mostrar que nós, estudantes, somos contra a PEC do fim do mundo e por isso estávamos ocupando. Fomos covardemente reprimidos pela Polícia Militar assim que nosso ato chegou próximo ao Congresso Nacional, recebidos com bombas de efeito moral, balas de borracha e a cavalaria pronta para dispersar nossa mobilização.

Não pudemos evitar a aprovação da PEC em primeiro turno no Senado Federal, mas voltamos com a certeza de que nós continuaremos firmes na luta pela educação pública!