Chanceler

Com Trump, existe uma espécie de celebração do egoísmo, diz ex-ministro Celso Amorim

“Imagina se tivéssemos assinado a Alca? Estaríamos fazendo uma série de concessões adicionais. Isso é dramático”, disse

Opera Mundi

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“Imagina se tivéssemos assinado a Alca? Estaríamos fazendo uma série de concessões adicionais. Isso é dramático”, disse Amorim / Paulo Pinto/Agencia PT

O ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, em evento realizado nesta quinta-feira (16/02) no Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé, em São Paulo, afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, trouxe um elemento nacionalista ao governo do país e que, com ele, existe uma espécie de “celebração do egoísmo”.

“Com Trump, existe uma espécie de celebração do egoísmo”, afirmou. “Meu país primeiro, minha classe social primeiro, eu primeiro”, disse, se referindo a Trump e seus congêneres na Europa – Marine Le Pen na França e Frauke Petry na Alemanha. “Acho que Trump é um mau exemplo, é tudo aquilo que a gente não quer ver personificado em um político”, afirmou.

O ex-chanceler especulou sobre como estaria a situação do Brasil caso o país tivesse assinado a Alca (Associação de Livre Comércio das Américas), proposta que foi analisada pelo governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e que acabou definitivamente rejeitada em 2006. “Imagina se tivéssemos assinado a Alca? Estaríamos fazendo uma série de concessões adicionais. Isso é dramático”, disse.

Por outro lado, afirma Amorim, Trump fez bem em retirar os EUA do TPP (Tratado Transpacífico), dado os prejuízos que um tratado comercial desta magnitude traria para a economia interna e a mundial. “Até um relógio parado pode estar certo duas vezes ao dia”, brincou.

Ele se diz preocupado, no entanto, com a maneira com que as políticas de Trump poderiam afetar a América Latina – e citou o exemplo do México, chamando de “dramática” a situação face ao novo governo dos EUA.

Mercosul

Amorim vê como injustas as críticas de que o Mercosul seja um fracasso, e diz considerar um “erro diplomático” os movimentos dos países-membros do bloco para suspender a Venezuela.

“Me preocupo com as críticas que tem sido feitas ao Mercosul. Desde a criação do bloco, o comércio mundial cresceu 5 vezes. O comércio interno [dentro do bloco] cresceu 12. Não me parece que tenhamos tido prejuízos… É claro que tem havido dificuldades, tem que ter uma política sempre muito ativa, mas abandonar o Mercosul é muito grave”, disse.

Edição: Opera