Questão agrária

Audiência propõe fim do conflito entre MST e Araupel no Paraná

Evento foi convocado pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados

Brasil de Fato | Rio Bonito do Iguaçu (PR) ,
"Lutar pela reforma agrária não é e nunca será crime", disse a defensora pública Camille Costa / Daniel Giovanaz

Cerca de 3 mil pessoas assistem neste momento a uma audiência pública em Rio Bonito do Iguaçu, centro-sul do Paraná, organizada para mediar o conflito entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a empresa Araupel Celulose no estado. O evento foi convocado pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

"Esta audiência tem o intuito de avançar na pacificação da região, garantindo o direito da luta pela terra", analisa o deputado federal Nilton Tatto (PT), vice-presidente da Comissão. Relembre o conflito.

Para o representante do MST no município, Laureci Leal, os assentamentos e acampamentos geram emprego e renda para a região: "O que temos hoje é um latifúndio de 80 mil hectares no meio de uma região pobre. Não se pode admitir que uma única família seja dona de toda essa terra", ressalta. "A paz só vem com a reforma agrária. Nós podemos gerar 25 mil empregos diretos, produzir alimentos saudáveis. Não podemos deixar que nos tratem como vagabundos".

Prisões

Sete integrantes do MST no Paraná estão presos com base em denúncias apresentadas pelo Ministério Público entre novembro e dezembro do ano passado. Entre os presos estão Fabiana Bagra, de 22 anos, e Claudelei Torrente de Lima, conhecido como 'Cachorro', vereador mais votado em Quedas do Iguaçu na última eleição. "Se acabar a guerra e vier a paz, não pode ter mais prisioneiros de guerra. Os trabalhadores não podem mais ser presos, assassinados", critica Leal.

Darci Frigo, presidente do Conselho Nacional dos Direitos Humanos, manifestou preocupação com as injustiças na região: "A reforma agrária é um fundamento para a realização de muitos direitos humanos. É preciso dar um basta a esse processo de tratar os movimentos sociais como organizações criminosas"

A senadora Gleisi Hoffmann (PT) disse que, por isso mesmo, a audiência é um momento histórico: "É o reconhecimento da terra que os trabalhadores estão ocupando. Homens e mulheres de dignidade que muitas vezes são tratados como arruaceiros".


"É preciso dar um basta a esse processo de tratar os movimentos sociais como organizações criminosas", disse Darci Frigo, presidente do Conselho Nacional dos Direitos Humanos. 


A Araupel Celulose alega que teve suas propriedades invadidas pelos sem-terra. A empresa é acusada de explorar irregularmente parte de uma área considerada pública, o que se caracteriza como grilagem. Além disso, tem histórico de conflito e degradação ambiental na região.

Poder público

Acompanham a audiência representantes do Ministério Público, da Defensoria Pública, do Governo do Estado, do INCRA, da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Paraná, da Ordem dos Advogados Do Brasil e da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, além da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), do deputado federal Enio Verri (PT-PR) e integrantes de ambas as partes.

A defensora pública Camille Costa reconheceu a importância do diálogo, se colocou à disposição para denúncias de violações de direitos humanos, e concluiu: "Lutar pela reforma agrária não é e nunca será crime".

Edição: Ednubia Ghisi