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Saiba quem é o novo ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes

Atual líder do governo no Senado, tucano defende pautas conservadoras, como redução da maioridade penal

Brasil de Fato | Brasília (DF)

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Aloysio Nunes (PSDB-SP) é alvo de um inquérito no Superior Tribunal Federal (STF) por suposta prática de crime eleitoral / Pedro França/ Agência Senado

O novo ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes (PSDB-SP), vai tomar posse na próxima terça-feira (7), junto com o novo ministro da Justiça, Osmar Serraglio. A informação é do Palácio do Planalto, que anunciou a nomeação do tucano nessa quinta-feira (2).

Atual senador da República, Nunes tem relações estreitas com o último ministro da pasta, o também senador tucano José Serra (SP), que deixou o cargo no dia 22 de fevereiro, alegando problemas de saúde. 

Entre outras coisas, é apontado como um dos nomes da elite do PSDB e integra o diretório nacional da legenda. Nunes foi ministro da Justiça no governo de Fernando Henrique Cardoso (de 2001 a 2002) e candidato a vice-presidente na chapa de Aécio Neves (PSDB-MG) na eleição presidencial de 2014. Atualmente, é alvo de um inquérito no Superior Tribunal Federal (STF) por suposta prática de crime eleitoral.

Em sua atuação parlamentar, o tucano foi presidente da Comissão de Relações Exteriores no Senado, que discute e vota projetos sobre as relações internacionais do Brasil e a defesa nacional. É conhecido como um parlamentar de temperamento forte e posições conservadoras.

Nomeado líder do governo de Michel Temer na Casa logo após o julgamento do impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, Aloysio Nunes foi um dos defensores do afastamento da petista e tem defendido com vigor as pautas de interesse do Planalto.

Entre os destaques, figuram a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 55, que instituiu o teto de gastos; a reforma do ensino médio; e a atual PEC 287, que institui a reforma da Previdência. Ele também defendeu a recente e polêmica nomeação do ex-ministro da Justiça Alexandre de Moraes para o STF. 

Além disso, o tucano trabalhou fortemente pela aprovação do Projeto de Lei (PL) 4567/16, que abriu a exploração do pré-sal para as multinacionais. A matéria, aprovada em outubro de 2016, foi motivo de um dos principais embates travados por segmentos populares contra o governo Temer ao longo do ano, por ser considerada uma pauta de caráter neoliberal. 

Em 2012, Nunes foi o único senador que votou contra o projeto que garante cota de 50% para estudantes de escolas públicas ingressarem em universidades e escolas técnicas federais, a chamada Lei de Cotas Sociais. Na ocasião, defendeu que a cota era excessiva.

No mesmo ano, o tucano apresentou a polêmica PEC 33, que reduz a maioridade penal para jovens que cometem crimes considerados hediondos, matéria bastante criticada por defensores de direitos humanos.

Curiosamente, Aloysio Nunes também é autor do projeto que institui a Lei de Migrações, defendido por organizações da sociedade civil. O PL substitui o Estatuto do Estrangeiro e concede aos imigrantes os mesmos direitos garantidos a brasileiros.

Em fevereiro deste ano, o tucano apresentou ainda a PEC 9/2016, que institui o regime parlamentarista no Brasil. 

Mudança de rota   

Mas o atual líder do governo nem sempre esteve alinhado aos interesses mais conservadores. Militante fervoroso na época da ditadura civil-militar no Brasil, Nunes integrou a Aliança Nacional Libertadora (ANL), organização com referências no comunismo, e manteve relações estreitas com o guerrilheiro Carlos Marighela durante a luta armada – informações omitidas em sua página oficial.   

O então militante chegou a se exilar na Europa até a chegada da anistia, em 1979, experiência que pode ter inspirado o PL dos imigrantes. 

Na sequência, começou a vida parlamentar, pelo PMDB, em 1982, como deputado estadual em São Paulo, onde, aos poucos, deu início a um novo ciclo político, rumo ao conservadorismo.   

Edição: José Eduardo Bernardes