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"Legado da escravidão continua; mundo tem de vencer racismo", diz António Guterres

ONU lançou um memorial permanente para honrar as vítimas da escravidão na sede do organismo em Nova York

Rio de Janeiro

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Memorial Permanente, localizado na Praça dos Visitantes, na sede da ONU / ONU / Rick Bajornas

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, destacou na sexta-feira (24) as contribuições que os afrodescendentes fizeram e continuam fazendo para suas comunidades e para o mundo.

O discurso foi feito durante uma sessão especial dedicada ao Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Comércio Transatlântico de Escravos, marcado no dia 25 de março.

“Nunca devemos esquecer este capítulo sombrio da história humana. Devemos sempre recordar o papel desempenhado por muitos dos nossos países na realização da maior migração forçada da história, que roubou milhões de pessoas da sua dignidade e muitas vezes também das suas vidas”, acrescentou.

Guterres disse que o legado da escravidão continua e que o mundo ainda tem de vencer o racismo.

Para o chefe da ONU, muitos países ainda sofrem de padrões econômicos e decisões tomadas há muito tempo. Ele destacou que várias famílias ainda sentem intensamente o trauma imposto aos seus antepassados e, por isso, defendeu o reconhecimento da dor desse legado hoje.

Guterres declarou que a escravidão do passado foi abolida, mas outras formas surgiram, como o tráfico de seres humanos e o trabalho forçado ou escravo.

Falando de realizações da diáspora africana, ele citou Mae Jemison, a primeira afro-americana que chegou ao espaço; e Ralph Bunche, como o primeiro afro-americano vencedor de um Prêmio Nobel da Paz.

Ele recordou também o poeta e prêmio Nobel da Literatura Derek Walcott, que morreu há uma semana na Ilha de Santa Lúcia.

Guterres encerrou o pronunciamento com um apelo à união contra o ódio no que chamou de “momento de crescente divisão”. Ele pediu que seja construído um mundo de liberdade e dignidade para todas e todos.

Já o presidente da Assembleia Geral da ONU, Peter Thomson, apelou à proteção dos direitos humanos e ao fim do racismo, da xenofobia e das formas modernas de escravidão.

“As consequências da escravidão não terminaram com a emancipação, mas continuam até hoje. Algumas foram negativas, mas outras positivas”, disse, destacando as contribuições feitas pelos afrodescendentes para moldar as sociedades multiculturais.

Este ano, o tema das celebrações da data é “Reconhecendo o legado e as contribuições das pessoas de ascendência africana”.

Com o objetivo de honrar permanentemente as vítimas da escravidão, um memorial foi erguido na sede da ONU em Nova York. O projeto vencedor para o memorial, “A Arca do Retorno”, do arquiteto americano Rodney Leon, foi selecionado através de um concurso internacional e anunciado em setembro de 2013.

Edição: ONU Brasil