Impunidade

"O Pará vive um caos fundiário", afirma dirigente do MST

Ulisses Manaças avalia que a violência no campo na região é fruto da negligência da realização de uma reforma agrária

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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"O movimento social é o olho crítico da sociedade" / Fundo Dema

Ulisses Manaças, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), fez uma denúncia pública das violações de direitos humanos que têm ocorrido na Amazônia, especialmente no Pará, em uma transmissão ao vivo na página do MST no Facebook nesta sexta (23).

Ele contou que há cerca de 160 acampamentos do MST na Amazônia, região historicamente marcada por massacres como em Eldorado dos Carajás, que há 20 anos vitimou 19 trabalhadores rurais. Ele enfatizou o mais recente, em Pau D'arco, quando, dez pessoas foram brutalmente assassinadas em maio deste ano. As polícias civil e militar foram as responsáveis pela promoção dos assassinatos.

Na região, a atuação da organização se assemelha a de uma guarda dos fazendeiros locais, garantindo a integridade de sua propriedade e promovendo ações violentas contra os acampados.

Manaças enfatizou que é necessário que a sociedade civil se solidarize e auxilie para que essas violências ganhem visibilidade.

Ele ressaltou ainda que o alto índice de violência na região se deve ao fato de que não há reforma agrária. "O que ampara essas ações de violência no campo é o verdadeiro caos fundiário do local", enfatizou o militante. 

O apelo do dirigente foi o de que a população se engaje na causa da garantia dos direitos dos que estão envolvidos na luta pela reforma agrária. "O movimento social é o olho crítico da sociedade", completou Manaças.

Para ele, o quadro se agravou após a posse do presidente golpista Michel Temer, quando "houve um golpe simultâneo na vida do cidadão brasileiro". Manaças se refere ao congelamento dos gastos públicos e às reformas trabalhista e previdenciária.

Ele finalizou sua fala fazendo um apelo para que a população se mobilize ante esses retrocessos.

Assista a fala do dirigente:

Edição: Camila Rodrigues da Silva