Senado vota

Por crise política, oposição defende cancelamento de votação de Reforma Trabalhista

"Não vejo outro foco para o senado que não discutir uma saída para essa situação", diz senadora Gleisi Hoffmann

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Comissão de Constituição e Justiça do Senado se reúne, para analisar e votar o parecer sobre a reforma trabalhista. / Antonio Cruz/EBC

Cumprindo o calendário previsto ao longo das negociações entre base e oposição, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado começou a última reunião prevista antes da proposta da reforma trabalhista ser levada a plenário.

Um acordo entre a base governista e oposição prevê para esta quarta-feira (28) discussão da proposta até às 16 horas e a votação a partir deste horário, mas os parlamentares contrários, como a senadora Gleisi Hoffmann (PT), querem cancelar a votação, com base no cenário político vivido no Brasil.

"Ocorre que mudou muito a conjuntura do país. Nós estamos com um presidente denunciado, uma instabilidade política grande. Eu não vejo outro foco para o Congresso Nacional, inclusive para o Senado da República, que não discutir a crise que nós estamos vivendo e a saída para ela." 

O líder do governo no Senado e relator da reforma, Romero Jucá (PMDB), já avisou: vai rejeitar todas as emendas apresentadas ao seu texto. Mas só explicará as razões para isso no fim da tarde, quando começar a fase de discussão.

O presidente do senado, Eunício Oliveira, afirmou que pode até cancelar a Ordem do Dia para não atrapalhar a votação na CCJ. O senador confia na aprovação da reforma trabalhista ainda neste semestre. "Meu compromisso é de votar esta matéria antes do recesso. Se possível na semana que vem, dando prazo para as emendas, prazos regimentais, eu, se for possível, quero votar semana que vem. Se não for possível, nós vamos votar essa matéria antes do recesso. Esse é meu compromisso: colocar para votação antes do final deste semestre." Seis senadores apresentaram votos em separado, com propostas de alteração ao texto vindo da Câmara dos Deputados.

Entre as principais críticas ao projeto estão normas que alteram questões sobre intrajornada, hora extra, trabalho insalubre para gestantes e lactantes. Muitos desses pontos poderão ser acordados entre o empregador e o empregado, o que segundo os opositores pode precarizar a relação de trabalho, colocando o trabalhador numa posição mais vulnerável.

 

* Áudio alterado às 13h54 de 28/06/17 para acréscimo de informações. 

Edição: Radioagência Nacional