DESMONTES

No Recife, parlamentares e movimentos lançam frente em defesa dos bancos públicos

A frente pretende atuar em oposição ao enfraquecimento das instituições financeiras públicas

Brasil de Fato | Recife (PE)

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Audiência ocorreu na manhã desta segunda-feira e contou com a presença de sindicalistas e parlamentares / Marcos Barbosa/Brasil de Fato

Em audiência pública que lotou o plenarinho da Câmara de Vereadores do Recife, o Sindicato dos Bancários de Pernambuco lançou, nesta segunda-feira (28), a Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Bancos Públicos com a campanha “Se é público, é para todos”. Compondo a mesa principal, além das presenças da deputada estadual Teresa Leitão (PT-PE) e da vereadora Marília Arraes (PT-PE), estiveram a presidenta do Sindicato dos Bancários Suzineide Rodrigues, representantes da categoria nos bancos públicos e o senador Lindbergh Farias Filho (PT-RJ).

A deputada Teresa Leitão iniciou sua fala lembrando que na data em que o lançamento da frente acontece em Pernambuco, também é comemorado o Dia do Bancário: “Essa é a melhor forma de homenagearmos o dia da categoria: na luta, na resistência”. Ainda segundo a parlamentar, a privatização dos bancos públicos é só mais um dos elementos do golpe sofrido pela democracia brasileira em 2016, com o objetivo de entregar as riquezas nacionais e reduzir os direitos dos trabalhadores. “A privatização não é só vender o patrimônio público, é diminuir a importância do setor público, como um setor de observância e de garantia de direitos da população. A privatização tira do cidadão sua dimensão de sujeito de direitos”, enfatizou.

Dando continuidade à solenidade, a vereadora Marília Arraes afirmou que o enfraquecimento dos bancos públicos é retirar os direitos do povo brasileiro a partir do desmonte das políticas sociais que dependem dessas instituições para se manterem, como o “Minha Casa, Minha Vida”, o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), entre outros programas. “Eu acredito que é muito importante esse tipo de mobilização, de conscientização das pessoas do que significa todo esse desmonte do nosso Estado”, reforçou Marília.

Em seu pronunciamento, o senador Lindbergh Farias, autor do projeto que criou a Frente a partir da iniciativa de entidades que integram o Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, fez uma breve explanação trazendo a importância que os bancos públicos e as empresas estatais ganharam durante a gestão do ex-presidente Lula para que fosse feita a resistência à crise financeira internacional nos anos 2008 e 2009: “Se nós não tivéssemos o apoio dos bancos públicos teríamos entrado em uma recessão de três ou quatro anos, como estamos vivendo hoje”.

O parlamentar declarou, também, que vivemos um momento de implantação do programa neoliberal com radicalidade nesta gestão de Michel Temer (PMDB), marcado pela entrega das riquezas do Brasil às potências capitalistas e por reduzir a importância da nação no cenário internacional. “Se a gente perde os bancos públicos, mais à frente, mesmo com um novo presidente eleito, nós vamos ter dificuldades de intervir na economia com um projeto de desenvolvimento autônomo. Então, é fundamental que a gente transforme essa campanha não numa campanha apenas da categoria dos bancários, mas numa campanha do povo brasileiro”, concluiu.

Para Suzineide Rodrigues, presidenta do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, o grande desafio na conjuntura política atual é manter fortes os bancos públicos do país nesse momento de entrega da soberania dos ativos, dentre eles os bancos públicos. “Aqui em Pernambuco vamos sofrer diretamente porque [a gestão de Temer] fechou a gerência do fundo do FGTS e está transferindo para o Sul e Sudeste. Ou seja, todos os estados do Nordeste perderam a sua gerência, além do fechamento de agências, desmonte pela reestruturação e o plano de demissão voluntária”.

Ainda de acordo com Suzineide, para a construção dessa luta em defesa dos bancos públicos é necessária a consolidação do seguinte tripé: “a mobilização dos bancários, dos bancos públicos, engajados nessa luta; assim como a participação da sociedade brasileira, porque precisamos que ela venha em sua defesa já que será a principal beneficiada com um banco público forte e a principal prejudicada com esse governo retirando seus direitos; e, por fim, precisamos fazer articulação política com os movimentos sociais e parlamentares, para que a gente tenha essa grande frente em defesa dos bancos públicos, das instituições públicas e da soberania brasileira”, explicou.

Edição: Vinícius Sobreira