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Viva a Baderna! A dançarina que virou sinônimo de farra

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Foto do Espetáculo-Intervenção 'BadeRna' que retrata a história da dançarina Marietta Baderna / Luaa Gabanini
É interessante ver como nomes de pessoas acabam ganhando significados especiais

Certa vez, comentei que tinha comprado roupa num brechó e uma moça não sabia o que era isso. 

E só aí me dei conta de que a palavra brechó, usada para designar lojas de roupas usadas, não é conhecida em boa parte do Brasil. Ela é muito comum em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Mas por que essas lojas são chamadas assim?

Belchior era um dos três reis magos e tem muita gente com esse nome. Mas a pronúncia caipira para o nome deles é Brechó. No Rio de Janeiro tinha um comerciante chamado Belchior e apelidado Brechó, que comprava e vendia roupas e outros objetos usados. 

Daí a loja do Brechó acabou dando nome a todos os estabelecimentos desse tipo.  

É interessante ver como nomes de pessoas acabam ganhando significados especiais. Vou lembrar alguns deles.

Gandula, catador de bola em jogos de futebol, é chamado assim por causa de um jogador argentino chamado Bernardo Gandula foi contratado pelo Vasco em 1939 e era muito educado. Quando a bola saía do campo, ele a pegava e entregava ao batedor de lateral, mesmo que fosse adversário.

Um dono de bar de uma cidade que conheci, maltratou uns fregueses pobres e muita gente reagiu, boicotando o bar dele, quer dizer, não indo mais lá. Boicotar é criar dificuldades para alguém. 

Boicotar vem de boicote, que era sobrenome de um sujeito, mas não brasileiro. 

Charles Cunninghan Boycott foi contratado para administrar as propriedades de um conde na Irlanda, em 1873, e levou a sério demais as suas funções, exigindo mais do que devia dos súditos… 

Passaram a dar-lhe um gelo, ninguém aceitava trabalhar para ele e nem mesmo conversavam com o sujeito, que, isolado, sem amigos, acabou pedindo demissão.

Nós chamamos de gari quem é varredor de rua por causa de um homem chamado Alexandre Gary, que no século XIX foi dono de uma empresa que fazia limpeza no Rio de Janeiro.

Mas a palavra que eu gosto mais, entre essas todas, é baderna. Não só porque sou um tanto baderneiro. 

Em 1849 chegou ao Rio de Janeiro, vinda da Itália, uma dançarina chamada Marietta Baderna, que era rebelde, libertária, contestadora, linda e sensual… Quando se apresentava, fazia furor. Arrumou um monte de fãs exaltados. Quando eles chegavam em algum lugar fazendo algazarra, eram chamados de “os badernas”. Daí, baderna virou sinônimo de farra, confusão. 

Então… Viva a Baderna!