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Baixo nível é a marca da troca de acusações entre Doria e Goldman

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Vice-presidente do PSDB, Alberto Goldman e o prefeito de São Paulo João Doria trocaram farpas / Reprodução
Dória e Goldman integram um partido responsável pelo retrocesso no país

O baixo nível é uma das marcas da troca de farpas entre o vice-presidente do PSDB, Alberto Goldman e o prefeito de São Paulo João Doria. Possivelmente os dois têm razão nas acusações, até porque ambos são o que são, embora Dória em uma parte das acusações tenha demonstrado desrespeito à terceira idade ao afirmar o que afirmou sobre uma pessoa de 80 anos. 

No mais, tanto Dória como Goldman integram um partido responsável pelo retrocesso que o Brasil atravessa a partir do golpe parlamentar, midiático e judicial ocorrido no ano passado. O PSDB, claro, seja por intermédio de Goldman ou de Doria, tem culpa no cartório. Estão divididos porque há setores que temem os reflexos do desprestígio que venha a ocorrer na próxima eleição parlamentar e presidencial, essa se não for impedida. Em outras palavras, querem continuar enganando, como se o partido não tivesse responsabilidade sobre o que o atual governo ilegítimo está realizando.

Dória joga para a platéia e quer de todas as formas ser candidato à Presidência da República, tanto assim que viaja a todo o momento para se apresentar aos eleitores. Em sua última incursão participou em Belém do Pará de uma atividade religiosa. E assim vai o prefeito que segundo as últimas pesquisas a própria população de São Paulo não o considera um político apto para governar o país. E muito menos, como demonstram os fatos, São Paulo.

Usa o cargo de prefeito para ver se consegue emplacar a candidatura como presidente, mas é rejeitado pela população. Já Goldman, não é de hoje que defende entusiasticamente o modelo neoliberal colocado em prática desde a gestão do então presidente Fernando Henrique Cardoso. O mesmo acontece com Doria.

E no passado, para os que têm memória curta, deve ser lembrado que em investidas políticas Goldman andou apoiando o então governador do Estado do Rio de Janeiro, Chagas Freitas, um modelo de fisiologismo político na época e apoiador da ditadura nas hostes do então MDB, antecessor do atual PMDB que integra o governo golpista de Temer.

Esse é o tucano Alberto Goldman, que pode ser responsabilizado, como correligionário do PSDB, pela atual situação que atravessa o país. Doria, defensor entusiasta de qualquer tipo de privatização, surfa no antipetismo e se alia com movimentos como o chamado MBL (Movimento Brasil Livre), que agrupa idiotas de toda a natureza, inclusive defensores da censura às artes, como aconteceu em Porto Alegre e mesmo em São Paulo e agora com o apoio do bispo prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella.

Fica cada vez mais claro que Doria quer mesmo ser candidato a presidente. E se não conseguir legenda no seu atual partido poderá se bandear para outros espectros políticos que defendem incondicionalmente o retrocesso que o Brasil atravessa. Não é à toa que anda flertando com o partido de nome Democratas, remanescente da antiga Arena, o partido do golpe empresarial militar de 1964, que mudou de nome para PDS até chegar a atual denominação DEM. 

No fundo, apesar das aparências, tanto Democratas como o PSDB, que se unem nos momentos cruciais para os destinos do Brasil, vide inclusive no governo de Fernando Henrique Cardoso com a indicação do vice Marco Maciel, são farinha do mesmo saco neoliberal. De qualquer forma, a troca de farpas entre Goldman e Dória não invalida a tese segundo a qual os dois partidos são mesmo seguidores incondicionais do modelo colocado em prática pelo golpista e ilegítimo Michel Temer e o seu PMDB. Não é à toa que integram a tal base aliada que sustenta o atual governo ocupante indevido do Palácio do Planalto.

Resta aguardar o desenrolar dos acontecimentos e observar o que resultará para o futuro as desavenças baixo nível entre Doria e Goldman. Ou seja, em que isso poderá influenciar no entendimento histórico entre os integrantes da base aliada. Não será de se estranhar que surjam os defensores dos panos quentes, para evitar maiores desavenças e continuar enganando os incautos.

Edição: Vivian Virissimo