20 de Novembro

Entidades organizam vaquinha para pagar multa por marcha da Consciência Negra

Carro de som foi multado por estacionar na Avenida Paulista durante feriado, quando via é fechada para trânsito

Brasil de Fato | São Paulo

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Vítimas da violência policial, como a criança Ítalo, foram recordadas durante a marcha, realizada no dia 20 de novembro / Solon Neto/Alma Preta

Entidades que organizam a Marcha da Consciência Negra em São Paulo lançaram uma campanha de arrecadação online para pagar a multa de R$ 5.800 imposta este ano pela polícia rodoviária.

O carro de som da 14ª marcha foi autuado por estacionar em frente ao vão do MASP, na Avenida Paulista, no dia 20 de novembro. Isso porque a via é fechada para o trânsito de carros aos domingos e feriados devido ao programa Ruas Abertas.  

A multa ocorreu mesmo com as reuniões de planejamento e solicitações de uso por parte dos organizadores do protesto.

De acordo com o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e coordenador da Comissão de Igualdade Racial da organização, José Laelson de Oliveira, a ação é uma tentativa de calar a voz do movimento negro.

“Nós estamos fazendo uma vaquinha para que a população ouça que, quando você se posiciona contra a elite ou a pessoa que representa a elite e a burguesia paulistana, é desta maneira. Nós vamos pagar um preço alto, mas a nossa luta, nossa resistência estará sempre em primeiro plano”, afirma.

A justificativa da polícia rodoviária para a penalização foi a falta de autorização da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Mas os organizadores argumentam que o órgão não compareceu à última reunião de planejamento e deixou de responder à solicitação dos grupos.

De acordo com Beatriz Lourenço, uma das articuladoras da marcha e integrante da Frente Alternativa Preta, o diálogo com os órgãos de trânsito vinha sendo feito desde o mês de agosto, mas ainda assim foram surpreendidos com a multa por parte da polícia rodoviária.

“A ideia de convocar a vaquinha é, sobretudo, propagandear e publicizar as dificuldades que o movimento negro ainda enfrenta para construções de marchas e para a denúncia de algo que não é novidade para ninguém, que é o genocídio da população negra”, diz.

Questionada pela reportagem, a CET informou, em nota, que não tentou impedir a manifestação e que a Avenida Paulista estava fechada para o lazer da população devido ao programa Ruas Abertas.

A companhia também disse que a decisão foi tomada com base no Termo de Ajustamento de Conduta do Ministério Público que autoriza apenas a realização de três eventos na Avenida Paulista ao longo do ano: a Parada LGBT, o Réveillon e a Corrida da São Silvestre.

A vaquinha online vai até o dia 20 de dezembro e é possível contribuir com qualquer valor. Para doar, clique aqui.

Mobilização

A 14º Marcha da Consciência Negra deste ano mobilizou 15 mil pessoas. Ao longo do ato, os manifestantes reivindicaram o fim da violência contra a comunidade negra e pediram mudanças na estrutura racista do Brasil.  

O feriado da Consciência Negra recorda a morte de Zumbi, um dos líderes do Quilombo dos Palmares.

Edição: Vanessa Martina Silva