Mídia

A ofensiva da Globo contra Lula

Para Stedile, do MST, a democracia depende de acabar com o oligopólio da emissora

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Lula em ato com artistas e intelectuais no Rio de Janeiro / Ricardo Stuckert

Maior empresa de comunicação do Brasil, a Rede Globo já teve sua influência questionada em diversos momentos da história. Atualmente, as denúncias sobre o papel político que a Globo exerce cresceram, principalmente, quando relacionado à perseguição ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

João Pedro Stedile, da Direção Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) afirma que a Globo patrocinou o golpe e quer consolidá-lo impedindo a candidatura do Lula. Segundo ele, só será possível a democracia no Brasil quando houver a democratização dos meios de comunicação.

A Rede Globo tem mais da metade da audiência entre as quatro maiores redes da televisão brasileira, e nove veículos entre os 50 maiores meios de comunicação do país, de acordo com o Monitoramento de Propriedade de Mídia, lançado pelo Coletivo Intervozes de Comunicação Social, em 2017.

Com o julgamento em segunda instância de Lula no âmbito da Operação Lava Jato, que será realizado no dia 24 de janeiro, em Porto Alegre, e o foco na candidatura do ex-presidente nas eleições deste ano, as investidas da Globo podem aumentar ainda mais.

Para o jornalista Paulo Henrique Amorim, a Rede Globo tem influenciado os principais eventos políticos dos últimos anos, como o impeachment de Dilma Rousseff. No entanto, ele acredita que o poder da emissora não será suficiente para decidir as eleições presidenciais. O jornalista afirma que sem a Globo, não haveria golpe. Mas, com ou sem a Globo, Lula será o presidente em 2018, ou elegerá quem indicar.

Gleisi Hoffmann, senadora e presidenta do Partido dos Trabalhadores (PT), avalia que a emissora carioca atua com o intuito de criminalizar o ex-presidente perante a população, pois todos os dias a Globo, entra nas casas das pessoas falando que Lula é ladrão, corrupto e chefe de quadrilha. Para ela, isso ajudou a formar a opinião pública e a pressionar o Judiciário.

Edição: Vivian Fernandes