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Malaman: o super-herói que ao invés de ser amado, é temido pelas criancinhas

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Os super-heróis estão no imaginário das crianças. Em Itajubá, porém, um desses personagens, era temido pelo Chico, amiguinho de Mouzar / Pixabay
Pior que mula-sem-cabeça ou lobisomem, o Malaman era uma mala sem alça

Batman, Superman… Esses eram dois dos heróis de gibis e filmes que vieram fazer nossas cabeças na infância, mandados pelos mesmos Estados Unidos que nos enfiaram goela abaixo também o Capitão América, o Pato Donald, Mickey e também o Papai Noel, que se espalhou pelo mundo como garoto-propaganda, quer dizer, velho-propaganda da coca-cola.

Mas para meu amigo Chico Villela, criativo desde criança, um ente com o nome terminado em “man” (com a pronúncia “men”), como os homens heróis estadunidenses, era na verdade o monstro mais terrível e perigoso que existia. E existia de verdade, não era coisa de história em quadrinho ou seriado de cinema.

Pior que mula-sem-cabeça, corpo-seco, ou lobisomem, o Malaman era mesmo uma mala sem alça. Até a mãe do Chico rezava direto pedindo proteção contra ele.

E o Chico temia o monstrão, provavelmente trazido dos Estados Unidos, como outros monstros imperialistas tidos como heróis. Só que este não tinha nada de herói.

Nas noites escuras de Itajubá, o menino andava com cuidado, temendo encontrar o Malaman saindo de algum beco para atacá-lo. Ele não sabia o que o bicho fazia de mal às pessoas e nem mesmo a sua forma, cada vez imaginava de um jeito. É difícil criar na imaginação um homem com forma de mala. Por isso, pensava que talvez a palavra mala tivesse outro significado em inglês. 

Mas se consultasse um dicionário de inglês, o Chico veria que a palavra mala não existe nessa língua. Existe a palavra male, que significa macho. Então seria Macho Man? Não deixa de ser uma espécie de monstro, mas naquela época não existia essa expressão.

O certo é que o Chico temia o maldito em silêncio. Não sabia onde ele morava, se no cemitério, no mato ou em alguma tapera abandonada, mas não tinha nem coragem de perguntar à mãe. 

Evitava pronunciar o nome do monstro, temia que isso o atraísse.

E assim o Chico foi crescendo com o medo e a dúvida, até que conseguiu criar coragem para pedir à mãe que lhe falasse do amaldiçoado tão temido.

E percebeu que passou muito medo à toa. É que só então soube que era um problema da pronúncia da mãe: ao terminar suas rezas, ela falava alto e o Chico ouvia: “…e livrai-nos do mal, amém”. Ou, no ouvido do Chico, “…e livrai-nos do Malaman”. 

Edição: Camila Salmazio