Massacre dos Carajás

Peça 'A Farsa da Justiça' resgata caráter social e combativo da arte

Texto foi criado dentro do MST e a primeira apresentação, em 2005, foi interrompida pela PM em Brasília

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

,
A peça está em circuito nacional desde 2012 com a companhia Estudo de Cena / Companhia Estudo de Cena

O texto da peça 'A Farsa da Justiça' denuncia os ataques do Estado contra os movimentos populares. Nos dias atuais, é um vigoroso alerta sobre o crescimento do fascismo no Brasil. Escrita em 2005, na oficina de teatro do MST para ser encenada com bonecos na marcha de Brasília, a peça não chegou ao fim porque foi interrompida pela Polícia Militar.

No entanto, a companhia profissional de teatro Estudo de Cena fez uma adaptação da obra com atores e incluiu 'A Farsa da Justiça' no ser repertório desde 2012 com apresentações em várias regiões do país.

Neste domingo, 6 de maio, a peça será encenada no parque da Água Branca, dentro da programação da 3ª Feira Nacional da Reforma Agrária, com entrada gratuita, a partir das 11h.

 O diretor da companhia, Diogo Noventa, falou com a Rádio Brasil de Fato e Brasil em Movimento sobre o espetáculo."A arte é uma maneira de intervenção política. Infelizmente, a indústria capitalista faz de tudo para separar a arte da política. Ao mesmo tempo que tentam tirar do campo do trabalhador este espaço de arte", disse o diretor.

O domínio do capitalismo na produção artística hegemônica, que evita temas de interesses populares de luta, é evidente na forma da financiamento das produções. "A mesma torneira de capital que financia os latifúndios e as mineradoras é a mesma que financia essa indústria de cultural burguesa", disse.

A peça 'A Farsa da Justiça' faz referência ao massacre de Eldorado dos Carajás, quando 19 trabalhadores rurais sem terra foi atacados e assassinados por policiais militares no Pará. O crime ocorreu em 1996 e até hoje está impune.

O parque da Água Branca fica na avenida Francisco Matarazzo, 455, na zona Oeste, perto da estação Barra Funda do Metrô.

 

 

Edição: Juca Guimarães