Coluna

Gol contra: jogando com EUA, programa do golpe acelera

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Temer e o vice-presidente dos Estados Unidos em encontro no Brasil / Foto: Alan Santos/PR
São todas medidas que desmontam as bases estruturais da nação

Enquanto acompanhamos os desdobramentos da Copa do Mundo debatendo quem é o jogador mais veloz de nossa seleção, as forças golpistas não perdem tempo para acelerar um programa de desmonte das bases da nação. Vejamos quais:

Base de Alcântara

Foram decisivos a realização do Plebiscito Popular e a vitória de Lula em 2002, para impedir a consumação de uma das ações mais entreguistas do governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC): o famigerado acordo para o uso do Centro de Lançamento de Alcântara com os Estados Unidos (EUA). 

Agora, após reunião com o secretário de Estado estadunidense, Mike Pompeo, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes, anunciou a retomada de negociações para um Acordo de Salvaguarda Tecnológica (AST) que permitirá a utilização da Base de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, pelos Estados Unidos. 

Como explica Samuel Pinheiro Guimarães, os Estados Unidos têm bases de lançamento de foguetes em seu território nacional, entre elas a base de Cabo Canaveral, perfeitamente aparelhadas, com os equipamentos mais sofisticados do mundo, para o lançamento de satélites e de foguetes. Portanto, não necessitam, de instalações a serem construídas em Alcântara para o lançamento de seus foguetes.

O objetivo principal norte-americano é ter uma base militar em território brasileiro na qual exerçam sua soberania, fora do alcance das leis e da vigilância das autoridades brasileiras, inclusive militares, e onde possam desenvolver todo tipo de atividade cuja essência é militar. Isso porque a localização de Alcântara, no Nordeste brasileiro, em frente à África Ocidental, é ideal para os Estados Unidos do ângulo de suas operações político-militares na América do Sul e na África, e de sua estratégia mundial em confronto com a Rússia e a China.

Submarino Nuclear enviado para as Calendas!

Um submarino nuclear é a arma mais estratégica que uma nação pode contar para defender suas águas territoriais. Em 2016, o Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear (Prosub), lançado no Governo Lula em 2008, virou alvo da Operação Lava-Jato. Agora, já se fala que o projeto somente poderá ser concluído talvez em 2028!

O Desmonte da Petrobras

Aceleram a venda de ativos como campos de petróleo, refinarias e gasodutos construídos a preços elevados em momento de baixa do petróleo e alta do aço. Conferem urgência ao Projeto de Lei que permite à Petrobras negociar até 70% dos campos do pré-sal concedidos à empresa por meio do regime de cessão onerosa.

Privatizaram três mil quilômetros de gasodutos e entregaram o campo de Carcará, por menos de US$ 2 o barril, quando a Petrobras pagou entre US$ 8 e US$ 11 à União pelo óleo que ela mesmo descobriu.

O que estas medidas têm em comum?

São todas medidas que desmontam as bases estruturais da nação coincidindo com um momento em que se vive um salto tecnológico (chamado por alguns de quarta revolução industrial), agravando ainda mais o déficit da possibilidade de retomada do desenvolvimento econômico.

Para revertê-las, não basta que um candidato que tenha um programa contra o golpe vença as eleições. Mais do que vitória eleitoral, que sem duvida é importante, cada vez mais será necessário desencadear uma nova correlação de forças, inclusive no plano internacional. 

Os representantes políticos podem ser alterados ou substituídos. O que importa é o programa em curso que está sendo aplicado pelo golpe.

Assim, vai ficando claro, porque as forças econômicas e sociais que patrocinaram o golpe farão tudo para impedir a candidatura de Lula.

Edição: Simone Freire