Saúde

Estudantes da USP e população acampam em defesa do Hospital Universitário

Mobilização pede a aplicação dos R$ 48 milhões na contratação de profissionais

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Hospital Universitário segue sem atender população por falta de profissionais / Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Estudantes e trabalhadores da Universidade de São Paulo (USP), além de moradores da comunidade do entorno iniciam nesta quinta-feira (30) uma mobilização em frente ao Hospital Universitário. Trata-se do "Acampamento em defesa do HU/USP", que acontecerá entre quinta-feira e  sábado (01).



De acordo com Maria Luíza Corullon, estudante do terceiro ano de Medicina da USP e integrante do Diretório Central dos Estudantes (DCE) Alexandre Vannucchi Leme, tem o objetivo de dar visibilida à necessidade de contratação de profissionais.

"Desde a última greve da Medicina, no ano passado, quando a gente conseguiu com a população aprovar [a emenda orçamentária] 48 milhões de reais na [Assembleia Legislativa de São Paulo] Alesp, o hospital continua praticamente na mesma. Não reabriu, não contratou mais gente, não aplicou o dinheiro", detalha.

Histórico

Em 2017, quando a situação do HU ficou mais crítica, a Alesp aprovou uma emenda, apresentada por Marco Vinholi (PSDB) – relator do orçamento 2018 –, destinando R$ 48 milhões dos royalties da exploração de petróleo do pré-sal para novas contratações.

A emenda foi aprovada, mas publicada como verba de custeio e não como gasto em pessoal, o que era justificado pela Reitoria como impeditivo para a contratação de profissionais de saúde.

Em meio à greve de funcionários da Universidade de São Paulo (USP), servidores do HU reforçaram a paralisação por cinco dias, em junho, para pressionar a liberação dos R$ 48 milhões e, assim, a realização de novos concursos para a reposição do déficit de funcionários na unidade hospitalar.

Reivindicada pelo coletivo Butantã na Luta, formado por estudantes, profissionais da USP e moradores do bairro, a correção da destinação da verba foi feita em junho. A proposição, apresentada por Vinholi e aprovada por unanimidade pela Alesp, em 13 de junho, corrigiu o erro de destinação do repasse para o HU.

O Projeto de Lei (PL) 367/2018 foi vetado pelo governador Márcio França (PSB), sob o argumento de ser "inconstitucional", "estar em desacordo com as Constituições Federal e Estadual (CF artigos 165, III e 166, § 14, III; CE, artigos 47, XVII e 174, III)".

Havia uma expectativa dos deputados de derrubarem o veto à proposta antes do recesso, o que não ocorreu. Assim como a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), a derrubada do veto segue aguardando a apreciação nas comissões para voltar ao plenário.

Pressão popular

De acordo com a estudante de medicina, há várias versões sobre a liberação do recurso, que até agora não chegou ao hospital. "A do reitor é de que o dinheiro não chega. Mas, tem a versão do [deputado estadual Marco] Vinholi, da Alesp, de que o dinheiro foi [liberado]. O dinheiro foi, de fato, desse jeito errado [incorreção técnica de grupo] para custeio e não para contratação, mas mesmo assim, isso já poderia ajudar o hospital e não foi aplicado", denuncia.

Segundo a ativista, por conta do imbróglio e falta de atendimento na unidade hospitalar, estudantes, trabalhadores e população organizada no Coletivo Butantã na Luta, decidiram fazer o ato para retomar a atenção da sociedade o HU. "A gente concluiu que precisava fazer isso voltar a atenção do reitor, da mídia, a atenção dos estudantes para o Hospital, porque não havia resolvido nada e ninguém mais falava sobre. Decidimos que um acampamento lá na frente [do HU] seria uma saída interessante".

Para isso, população e estudantes estão mobilizando o ato de protesto que inicia nesta quinta (30), a partir das 7h, com um café coletivo, onde estará principalmente a população, segundo os organizadores. Por volta das 17h, quando está prevista a assembleia dos estudantes da USP, eles seguirão em marcha até a frente do Hospital Universitário, onde acamparão.

"A ideia", segundo Corullon, "é que o acampamento encerre no sábado, com uma grande plenária".

Edição: Katarine Flor