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Temer considera extraordinária a intervenção Federal militar que atinge áreas pobres

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Temer esteve com ministros e com o governador Luiz Fernando Pezão (MDB) no Comando Militar do Leste (CML) e mais / Marcos Corrêa/PR
Temer disse que está "satisfeitíssimo" de ter decretado a medida

O presidente Michel Temer (MDB), declarou na última quinta-feira (30) que a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro foi "extraordinária". Ele disse que está "satisfeitíssimo" de ter decretado a medida. Temer esteve com ministros e com o governador Luiz Fernando Pezão (MDB) no Comando Militar do Leste (CML), região central do Rio, onde fizeram um balanço de seis meses da intervenção federal no Rio.

Com isso, o lesa pátria fim de linha deixa claro que ao adotar esse tipo de ação ele não levou em conta e até ignorou o que acontece nas áreas pobres da cidade do Rio de Janeiro, que diariamente atinge moradores da periferia. Michel Temer pouco se importa com a integridade das pessoas, da mesma forma que o general Braga Neto, nomeado como interventor.

Triste o país em que os responsáveis pela segurança de uma cidade e do Estado pouco se importam com os acontecimentos nefastos. Pode-se entender o motivo de Temer ser tão repudiado pela população, conforme indicam as mais recentes pesquisas.

É preciso também cobrar dos candidatos à Presidência da República e dos que aspiram ser eleitos para o Poder Legislativo que deixem claro o que pensam a respeito e como se posicionaram quando logo após o Carnaval o presidente anunciou com o máximo estardalhaço a intervenção.

O momento é propício para tal, já que em pouco mais de um mês o eleitorado brasileiro irá escolher os seus representantes. É importante que se conheça a fundo, sem tergiversações, o posicionamento dos candidatos. É que tem muito pretendente se apresentando de forma mentirosa afirmando que não tem nada a ver com o atual governo. É mais do que necessário saber, sem rodeios, como votaram no Congresso quando exerciam cargos parlamentares e o que acham das reformas postas em prática por Temer.

É o caso do extremista troglodita Jair Bolsonaro, que além de votar pela derrubada da presidenta constitucional Dilma Rousseff elogiou efusivamente o militar torturador Brilhante Ustra.

É preciso também desmascarar Geraldo Alckmin, o candidato preferido do esquema Globo, que cinicamente tem se apresentado como se fosse de oposição ao projeto governamental em andamento que o partido do ex-governador paulista sempre apoiou. Mas agora, diante do repúdio dos brasileiros e brasileiras a Temer, Alckmin tenta posar de forma  a parecer que não tem nada ver com o retrocesso do lesa pátria. 

Na entrevista que concedeu ao Jornal Nacional não escondeu o apoio às reformas como a da previdência ou da legislação trabalhista, para não falar da PEC da morte, que impede durante 20 anos que o Estado brasileiro gaste com saúde, educação, segurança e tudo o mais, o que prejudica sobretudo os mais pobres.

É preciso muita atenção a esse respeito, porque pelo visto dificilmente os candidatos serão cobrados nesse sentido nos debates e sabatinas.

Está muito claro que o mercado, a Globo, Bolsonaro, Alckmin, Álvaro Dias, João Amôedo, do velho Partido Novo, fazem o possível, através de sucessivos pronunciamentos, para evitar que Luíz Inácio Lula da Silva seja aceito como candidato. 

O casal do Jornal Nacional não fica atrás quando diariamente lembra que Lula está preso e impedido de ser entrevistado, apesar de estar em primeiro lugar nas pesquisas e o critério para os candidatos serem entrevistados é exatamente a preferência popular. É uma forma que a Globo tem, efetivamente, de agradecer a justiça por prejudicar o líder nas pesquisas.

No caso da Globo é preciso também verificar a forma de tratamento que os entrevistadores concedem aos candidatos. Por exemplo, Geraldo Alckmin foi tratado de forma familiar, como se soubesse de antemão que não seria muito questionado, Afinal de contas, Alckmin é da casa. Esta reflexão foi escrita antes da entrevista no JN à candidata Marina Silva.

Com o extremista troglodita Jair Bolsonaro, que aparentemente não é o preferencial do esquema, pelo menos por enquanto, a Globo teve de engolir a lembrança de que o poderoso chefão Roberto Marinho apoiou a ditadura, mas no final teve Bonner de ler o que já tinha sido divulgado, ou seja, uma autocrítica pró forma em que o esquema Globo admite ter errado no apoio. No final das contas, Bolsonaro acabou admitindo que ele e Roberto Marinho estavam no mesmo campo. A autocrítica é mesmo pró forma, porque no golpe mais recente, o de 2016, a Globo apoiou efusivamente, estando portanto no mesmo campo golpista que o extremista troglodita Bolsonaro.

Essa é a realidade, que por mais que o casal do Jornal Nacional tente enganar, não pode fugir a verdade, isto é, que a Globo e Bolsonaro não estão tão afastados assim. Estiveram juntos em abril de 1964 e no golpe parlamentar, midiático e judicial de 2016. E se for necessário, poderão estar juntos novamente para evitar que o povo brasileiro decida enterrar de vez o projeto que vem sendo executado pelo lesa pátria Michel Temer. Se Alckmin não conseguir emplacar, não se exclui a possibilidade de apoiar qualquer outro ou outra aspirante à Presidência da  República.

Edição: Jaqueline Deister