Coluna

Brasil só tem a perder com a entrega das riquezas petrolíferas

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22 de Setembro de 2018 às 10:00
Ou a opção será pela democracia ou pelo retrocesso que representa a edição 2018 de Plínio Salgado, um apoiador da ditadura, como Bolsonaro / Divulgação/EsquerdaOnline
Serra é o principal mentor da substituição da partilha pelo de concessão

O político José Serra, do PSDB, está vibrando com o retorno, depois de vários anos, da empresa petrolífera Exon ao Brasil, que agora tem a sua disposição a riqueza do pré-sal. Serra é o principal mentor da substituição do esquema de partilha pelo de concessão, o que é defendido ardorosamente pelo atual governo e também pelos próceres do PSDB, pois com isso se facilitou a entrada de empresas petrolíferas estrangeiras no país, o que já tinha sido defendido pelo governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Quem não se lembra, ou eventualmente não tenha nascido ou era criança e não acompanhou o que então acontecia, não deve deixar de ler o recém lançado livro Memórias, de autoria de José Dirceu. Está tudo lá o que representou para o Brasil o governo FHC.

É mais do que necessário divulgar o que está acontecendo hoje e exigir dos candidatos, seja à Presidência ou ao Legislativo, a posição a respeito do que acontece na área petrolífera. 

O governo de Michel Temer, com o apoio do PSDB, PMDB e demais partidos integrantes da base aliada viraram o jogo em agosto de 2016, exatamente para fazer o que estão fazendo de forma indecorosa. Tem até o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, querendo enganar a opinião pública ao afirmar que não apoiou o esquema implantado no Brasil por meio de um golpe parlamentar, midiático e judicial, que culminou com a ascensão do atual governo. Alckmin, que insiste na mentira segundo a qual o PSDB não apoiou ou apoia o atual governo, imagina que os brasileiros e brasileiras sejam completamente desinformados.

Mas quem tiver dúvidas a esse respeito basta consultar os arquivos do Legislativo para verificar como foi a votação, na Câmara dos Deputados e posteriormente no Senado, que culminou na derrubada da presidenta constitucional Dilma Rousseff, que segundo as pesquisas mais recentes deverá se eleger senadora por Minas Gerais. E também quem integrou e segue integrando o Ministério de Temer, como, por exemplo, Aloysio Nunes Ferreira, que também serviu ao governo FHC.

Quanto a eleição presidencial, as três semanas que faltam para o primeiro turno poderão ser decisivas. Nesse caso, vale acompanhar a cobertura da mídia comercial, que visivelmente se volta contra o candidato Fernando Haddad, que a cada pesquisa se consolida como a opção para enfrentar a edição 2018 do extremista Plínio Salgado, hoje chamado Jair Bolsonaro.

A hora é, portanto, decisiva para o Brasil. Ou a opção será pela democracia ou pelo retrocesso que representa a edição 2018 de Plínio Salgado, um apoiador entusiasta, como Bolsonaro, do golpe empresarial militar de abril e 1964.

Edição: Jaqueline Deister