Coluna

Enfrentar o fascismo sem concessões no programa

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03 de Outubro de 2018 às 15:05

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Encarar um segundo turno enfrentando as pressões do mercado financeiro para realizar concessões será uma difícil travessia / Arte D3 Comunicação / Divulgação
A polarização não permite qualquer vacilo na lógica das concessões ao mercado

Derrotar a candidatura de Bolsonaro e seu ideário fascista é a tarefa principal. 

O melhor caminho para enfrentá-la é denunciar seu significado na perda de direitos como as insistentes declarações do General Mourão contra o 13º salário e sua política de manutenção dos retrocessos trabalhistas e contra a geração de empregos.  

O  momento político da consumação do golpe foi o afastamento de Dilma, mas o golpe não se limitou a uma troca de comando no governo federal. A conjunção das forças econômicas que patrocinaram o golpe seguem incansavelmente cumprindo seu programa de desmonte das bases nacionais, dos direitos sociais e da apropriação de riquezas.

Fomos derrotados pela ofensiva golpista, prenderam Lula, mas nos restou a possibilidade de disputar eleitoralmente, com a força da imagem de Lula, impedindo o golpe de se legitimar nas urnas.

A capacidade destas eleições para alterar qualitativamente a correlação de forças é limitada. Mesmo uma vitória da candidatura das forças populares e democráticas enfrentará uma situação em que a classe trabalhadora segue imobilizada em suas condições materiais de vida, ante um ataque em seus direitos que não tem paralelo histórico.

Em nenhum momento podemos nos esquecer que os elementos que determinam a correlação de forças são, por um lado, a capacidade de luta e organização dos trabalhadores e, por outro, a força e capacidade de repressão da classe dominante, relativizando o resultado das urnas.  

Ante um segundo turno, representantes do mercado financeiro já anunciam que pressionarão ambas candidaturas exigindo compromissos com seu programa privatista e indicações de nomes que consideram confiáveis para o Ministério da Fazenda e Banco Central. Por sua vez, setores empresariais, inclusive alguns que foram aliados dos governos Lula e Dilma, já declaram seu apoio a Bolsonaro. 

Ceder a qualquer lógica de concessão, por mais acirrada que seja a disputa, será o mais grave dos erros. Temos a recente experiência do que foi a política de "ajuste fiscal" do início do segundo governo Dilma e como as forças golpistas souberam se aproveitar desta brecha para construir a imagem de "estelionato eleitoral". 

Encarar um segundo turno mantendo os compromissos programáticos, enfrentando as pressões do mercado financeiro para realizar concessões será uma difícil travessia que não permitirá vacilações.

A polarização, entre uma candidatura que apresenta um programa de mudanças sociais de interesse para as classes trabalhadoras e os setores populares, com aquela que representa o conservadorismo social e o ataque direto à democracia e o acelerado desmanche das candidaturas que buscaram se apresentar como centro, comprova que o momento atual não permite qualquer vacilação na lógica das concessões ao mercado.

Em meio às tensões eleitorais, o golpe prossegue em suas ações de desmonte nacional, como os leilões de petróleo realizados na semana passada, deixando claro que por mais importante que se apresente a atual eleição, derrotar as forças golpistas será uma luta prolongada que exigirá das forças populares saber preservar-se e manter sua unidade.

Toda força para derrotar a candidatura fascista, com firmeza no programa que representa os interesses populares. 

Edição: Daniela Stefano