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Quem lê tanta pesquisa? Especialistas analisam sondagens eleitorais

Mais de 300 levantamentos foram realizados em 2018, com divulgações diárias na semana decisiva

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Na última semana da campanha eleitoral, pesquisas de intenção de voto foram divulgadas diariamente / Foto: kathleenhalme.com

Apenas nos três dias que antecedem as eleições deste ano, nove pesquisas de intenção de voto foram registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Só neste sábado (6), quatro institutos lançam seus levantamentos: CNT/MDA, Vox Populi, Datafolha e Ibope. 

Ao todo, mais de 300 sondagens pré-eleitorais com abrangência nacional foram protocoladas na Corte Eleitoral. Já na reta final da disputa, Datafolha e Ibope passaram a divulgar diariamente os resultados das entrevistas com o eleitorado – algo até então inédito, já que o resultado é realizado semanalmente. 

Especialistas ouvidos pelo Brasil de Fato pontuaram a importância do instrumento e explicaram qual seu peso para a decisão do eleitorado. O cientista político Vitor Marchetti, professor da UFABC, pontua que as pesquisas diárias tentam capturar uma movimentação dos eleitores em um cenário polarizado. 

Ele afirma que as pesquisas tendem a reorganizar a preferência dos eleitores em um cenário político acirrado. 

"E cada vez mais a gente sabe que os eleitores estão definindo o seu voto na última hora. Ou seja, quanto mais próximo do dia das eleições, maior as chances você tem de ter o número reduzido de indecisos, brancos e nulos. Porque as pesquisas, de fato, não conseguem capturar todo esse movimento porque, cada vez mais, os eleitores estão deixando para última hora se posicionar", afirma o professor.

O TSE regula a realização e divulgação de resultados das pesquisas de intenção de voto desde 1986. Neste ano, outras pesquisas ganharam notoriedade, além do Ibope, primeiro instituto a realizar sondagens pré-eleitorais no Brasil, em 1942. Muitas delas, com divergências de resultados por opções metodológicas. 

O professor da UFABC ressalta a credibilidade dos principais estudos e pontua que, dificilmente, as previsões são manipuladas para beneficiar candidatos. Mas isso também não significa que as pesquisas não errem, pondera Marchetti, já que elas são um retrato do momento. 

"Eu acho que o erro, às vezes, é a gente olhar as pesquisas como retratos estanques. Pesquisas sempre tem que ser olhadas na perspectivas da evolução dos candidatos. Elas apontam mais tendências dos candidatos do que um cenário muito rígido de como vai se retratar o voto nas eleições".

Com a proibição do financiamento empresarial às campanhas, em 2015, as pesquisas deixaram de ser um indicativo de onde empresários investiriam. É o que lembrou o advogado Ronaldo Pagotto, militante da Consulta Popular, na Rádio Brasil de Fato

Ele ressalta que as pesquisas também têm importância das pesquisas para criação de estratégias de campanhas dos candidatos. Enquanto Ciro Gomes (PDT) trabalha com a projeção do voto útil, por exemplo, a campanha de Marina Silva (Rede) já demonstra menos competitividade.

"O voto útil está ganhando mais relevo nesta eleição. É uma coisa normal nessa reta final, as pessoas que tem candidatos que estão sem condições de fazer uma disputa real começam a migrar para opções mais competitivas, digamos assim", finalizou.

Edição: Diego Sartorato