Discurso frágil

"Bolsonaro não consegue nem ser nacionalista", critica historiadora

Para Patrícia Valim, discurso não está alinhado a propostas e o candidato só demonstra ódio

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Candidato do PSL bate continência à bandeira dos EUA / Foto: Reprodução Youtube

O candidato Jair Bolsonaro, ex-capitão do Exército, se esforça muito para apresentar uma imagem de nacionalista e defensor dos valores nacionais. O mote da campanha é amparado na vontade do povo brasileiro de ver o país se desenvolver e ganhar relevância no cenário internacional. Porém, a historiadora Patrícia Valim, em entrevista à Rádio Brasil de Fato, disse que as propostas do candidato seguem em sentido inverso.

“É uma pessoa despreparada. Absurdamente despreparado, que se apresenta como nacionalista. Porém, até este nacionalismo é discutível porque ele quer privatizar tudo”, analisa a professora.

A avaliação da docente leva em conta a política neoliberal defendida por Jair Bolsonaro que prega o enxugamento do Estado, sem autonomia em setores importantes da economia. Bancos públicos e empresas como a Petrobras, por exemplo, seriam leiloados.

Neste modelo, o país se tornaria extremamente dependente das empresas privadas, do capital estrangeiro e do "humor" do mercado.

De acordo com Patrícia, a personalidade de Bolsonaro também inspira apreensão. “Trata-se de uma pessoa autoritária, sem jeito para o diálogo e que muda de opinião três vezes no mesmo dia. Ele diz uma coisa de manhã e outra de tarde”, aponta.

Outro ponto que é preocupante, de acordo com a historiadora, é a forma superficial do candidato abordar assuntos importantes como o sistema de ensino nas universidades, recentemente alvos de atos repressivos e intimidatórios. 

“É uma falta absurda de conhecimento sobre o sistema de ensino que existe no país. Não existe uma ideologia de esquerda contra a qual lutar. Nas universidades, os alunos precisam conhecer a história, debater para produzir conhecimento. A ciência não sai do nada”, disse.

Patrícia avalia que as eleições deste ano marcam um ponto de inflexão na história do país e que nada mais será como antes. 

Edição: Cecília Figueiredo