POLÍTICA

Editorial e charge | Bolsonaro não é o futuro

"É o passado que veio assombrar o presente. Caberá enfrentá-lo, de muitas e variadas maneiras."

Brasil de Fato | Porto Alegre (RS)

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Charge / Santiago

Bolsonaro venceu a eleição do jeito que sabemos – e ainda saberemos mais a respeito – e será presidente a partir de 1º. de janeiro de 2019. É inegável que estará presente nos dias e meses e anos que estão à espera. Mas não é exatamente deste tipo de futuro óbvio e inarredável, fabricado mecanicamente a cada fração de segundo, que o título acima trata. Evoca outro entendimento de futuro como sinônimo, talvez, de esperança.

Não será simples e nem será fácil. Mas, convenhamos: aquela expressão “Brasil, País do Futuro” não bate com a figura, o verbo e os planos do candidato do PSL. Não bate com machismo, homofobia, xenofobia, racismo ou qualquer das muitas faces do fascismo. Nosso futuro enquanto nação diversa de cores, origens, raças, comportamentos e credos não deve compactuar com ódio, intolerância, perseguição e violência. Sob este aspecto, Bolsonaro e futuro são termos que se repelem. 

Podemos vislumbrar o futuro em algo além da distopia. São sinais ainda tímidos mas animadores, marcados por outras vozes, gestos e eventos. Naquele círculo de alunos, de mãos dadas, trajando preto e dizendo “Seremos resistência” no colégio Rosário, em Porto Alegre. Também no Colégio de Aplicação. Ou quando os reitores da UFRGS e da USP rejeitam a “Escola sem Partido”, tachando-a de “retrocesso”, e defendem a universidade pública e gratuita. Ainda na união inédita de mídias alternativas na capital gaúcha em defesa da democracia. Nas primeiras conversas de centrais, partidos, frentes, coletivos. São sementes  recém plantadas. Outras germinarão. Será uma construção gradual, tijolo a tijolo.

Bolsonaro não é o futuro. É o passado que veio assombrar o presente. Caberá enfrentá-lo, de muitas e variadas maneiras, e devolvê-lo para o mofo dos porões da ditadura, onde se engendrou e saiu para a luz do Sol após 33 anos de frágil democracia. Perante este futuro do pretérito nada mais resta do que contrapor outro futuro habitável, amoroso e acolhedor. Não basta aguardá-lo. Será preciso erguê-lo. É a tarefa que está começando e, para ela, todos e todas estão convocados. 


Este conteúdo foi originalmente publicado na versão impressa (Edição 7) do Brasil de Fato RS. Confira a edição completa.

Edição: Marcelo Ferreira