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Partidos de esquerda articulam frente de oposição para 2019

PT, PSOL e PCdoB reforçam unidade contra governo Bolsonaro e contra avanço da direita no país

Leer en español | Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Presidentes das siglas falam sobre a urgência da mobilização popular contra a retirada de direitos / (Foto: Wilson Dias)

Antes mesmo de tomar posse, Jair Bolsonaro (PSL) e sua equipe anunciam a intenção de implementar políticas ultraliberais que podem prejudicar profundamente a classe trabalhadora do país. Em resposta, partidos de esquerda como o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) planejam uma forte articulação da frente de esquerda na Câmara e no Senado.

Outros partidos como PSB e PDT também iniciaram reuniões com o mesmo objetivo. Para Juliano Medeiros, presidente do PSOL, a disputa institucional será essencial no próximo período.

“O PSOL vai trabalhar para que haja uma ampla unidade, se não formal, como bloco ou como frente, pelo menos uma unidade política no plano institucional. Para nós é importante que a esquerda possa superar eventuais ressentimentos que tenham ficado do processo eleitoral que, nesse momento, não ajudam em nada”, afirma Medeiros.

Na opinião de Luciana Santos, presidente do PCdoB, a oposição ao avanço da direita e do conservadorismo no país e na política nunca foi tão necessária. “A primeira palavra é resistência. Nós sabemos o perfil do presidente eleito. A única coisa que produziu na Câmara foi ódio”, ressalta Santos. “Por parte do conjunto das forças que o apoiaram vem a imposição de um modelo. O sistema vai se apropriar da candidatura dele para impor sua agenda. Será uma agenda mais liberal do que a do próprio Temer. Será uma agenda ultraliberal no Brasil, uma agenda conservadora e autoritária, ao estilo do próprio candidato”, continua.

Paulo Teixeira, vice presidente do PT, também reforça a importância da articulação. "Essa frente é que vai proteger a classe trabalhadora da maior ofensiva que ela vai sofrer nos próximos anos". 

Unidade sem restrições 

Nesta segunda-feira (26), a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, publicou que a formação de uma frente de esquerda sem o PT estaria ocorrendo nas casas legislativas. No entanto, a presidente do PCdoB esclarece que no parlamento brasileiro há uma tradição de formação de blocos a partir da composição de mesas e de comissões de forma rotineira, caso de uma reunião semana passada entre a sigla, o PDT e o PSB. 

“É uma articulação eminentemente com o caráter de ação regimental, de deslocamento dentro dos espaços que existem dentro do parlamento brasileiro. A oposição tem que estar cada vez mais unida, coesa e ampla. Não cabe nenhum tipo de reticência ao Partido dos Trabalhadores, muito pelo contrário”, defende Luciana Santos.

Ela ressalta a importância da presença do PT na frente ampla e democrática. “O entendimento que temos é nesse sentido, da necessidade do PT, que é maior bancada da Câmara dos Deputados e vai fazer parte, junto com a gente, e com todos esses partidos, da luta da oposição”. 

Para Teixeira, deixar o PT de fora da oposição é uma análise equivocada. "A classe trabalhadora pode ter prejuízos enormes causados por uma divisão da esquerda. Não se pode excluir o PT de uma frente de esquerda brasileira", reforça o vice-presidente da legenda. 

Oposição popular

Segundo Juliano Medeiros, para além da frente de esquerda atuando no Congresso, com a eleição de Bolsonaro, a mobilização dos movimentos sociais, organizações da classe trabalhadora, partidos políticos, artistas e intelectuais também se faz necessária. 

“A nossa posição é pela construção de uma frente democrática e achamos que os movimentos sociais tem um papel muito importante para cumprir nisso. Inclusive, levando em conta que devem ser as primeiras vítimas desse processo de criminalização que o governo Bolsonaro já encampou como parte de sua estratégia de perseguição ao seus adversários políticos”, comenta o presidente do PSOL.

Edição: Brasil de Fato