08 DE MARÇO

PB: Mulheres vão as ruas por direitos, contra Bolsonaro e por Marielle

Crônica de Paula Adissi descreve o ato com riqueza e poesia

Brasil de Fato | João Pessoa

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Mulheres protestam no Centro de João Pesso / Christian Woa

Este ano não pude estar nas ruas nesse 8 de março, assisti de casa através da transmissão ao vivo do Brasil de Fato Paraíba ao ato de João Pessoa, a partir dela algumas linhas de uma carta de amor.

De casa vi asfalto, facas e flores

(Paula Adissi)

De casa vi passar a mulherada

Coloridas, animadas, revoltas. Belas, belas.

Rua cheia de mensagens contra a ordem que esmaga, maltrata e mata sua existência.

Negras com suas belezas enturbantadas leva para rua a dor de tantas, de tantas. Mas lá estão juntas, giram perna, gritam, cantam, se defendem, espalham sua dor em forma de arte, transformam em alegria, em um amor puro. Puro, puro.

Puro como o olhar da menina Sofia que explica sua presença: "lutar pelo fim do machismo". Mais uma que entende que para existir é preciso bater o pé, se irmanar e empunhar bandeiras.

Mulheres Potiguaras chefiam o Torê, espalham seu passo, seu compasso, para outras que ali se juntavam à roda que tudo gira, gira, e transforma.

De casa vi minhas irmãs, guiadas por uma grisalha estandarte. Estrondosamente quebravam o silêncio que recai sobre a condição da mulher. Batiam, batiam, com toda força de sua revolta. Mas, juntas riam e cantarolavam, cantos afiados, cantos gritados, que saem como bala, mas também como flor.

De casa vi meninas, jovens e muitas velhas, que ali todas não passavam de meninas, meninas a saltitar no asfalto, a comandar a romaria de flores e de faca. Um romaria para todas as Marias, agora livres, vivas diante da morte, vivas diante da dor, vivas diante de suas vidas.

Vivas Marias seguem, em romaria de si mesmas, para tantas outras e, para as que ainda virão, e que Marias sendo, possam seguir nessa romaria até toda essa luta não mais ser necessária, pois nada mais a ferirá, a adoecerá, nada mais a esmagará, e ela, apenas ela será.

Esse ano, de casa vi florir o asfalto. Flores armadas, amoladas. Vi a rua cantar. Vi a poesia, o grito, o tambor, a lata, as bandeiras, estarem ali, no centro da existência de todas, e juntas emitiam para novos corações todas as belezas do Feminismo.

Esse ano, de casa estive lá, ah estive.

 

A seguir ensaio fotográfico de Christian Woa e fotos autorais de participantes do evento

Foto: Christian WoaFoto: Christian WoaFoto: Christian WoaFoto: Christian WoaFoto: Christian WoaFoto: Christian WoaFoto: Christian WoaFoto: Christian WoaFoto: Christian WoaFoto: Christian WoaFoto: Christian WoaFoto: Christian WoaFoto: Christian WoaFoto: Christian WoaFoto: Christian WoaFoto: Christian WoaFoto: Christian WoaFoto: Christian WoaFoto: Christian WoaFoto: Christian WoaFoto: Christian WoaFoto: Christian WoaFoto: Christian Woa

 

Edição: Cida Alves