ENTREVISTA

Guilherme Boulos: "Não podemos ter uma oposição só de hashtag"

Em visita a Porto Alegre nesta quinta-feira (21) para uma série de eventos, Boulos concedeu entrevista ao Sul 21

Ele falou de temas como a prisão do ex-presidente Temer (MDB), reforma da Previdência, repressão aos movimentos sociais e governo Bolsonaro / Foto: Guilherme Santos/Sul21

Candidato do PSOL à presidência da República em 2018 e coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos passou por Porto Alegre nesta quinta-feira (21) para uma série de eventos. Entre uma parada e outra, Boulos visitou a redação do Sul21 para uma breve conversa de 20 minutos em que abordou temas como a prisão do ex-presidente Michel Temer (MDB), efetuada poucas horas antes, o papel da oposição na reforma da Previdência, o ambiente de repressão aos movimentos sociais no governo Jair Bolsonaro (PSL) e os primeiros meses do novo presidente.

Boulos definiu a gestão Bolsonaro até agora como um “governo que causa vergonha alheia, aqui e lá fora”, mas destacou que, ainda assim, conseguiu promover uma “série de retrocessos” em seus primeiros 70 dias. “Em 70 dias de governo Bolsonaro, caíram máscaras que desgastaram esse governo. Setores que votaram no Bolsonaro começam a perceber o peixe podre que compraram. Diante disso, é preciso ter uma oposição contundente. Não podemos ter uma oposição só de hashtag. Não podemos ter uma oposição dócil, bem comportada”.

Confira a seguir a íntegra da entrevista com Guilherme Boulos.

Sul21 – Boulos, como que tu recebeu a notícia da prisão do Temer?

Guilherme Boulos: O Temer, do meu ponto de vista, é um bandido. Já deveria estar preso há muito tempo. Existem provas contundentes contra o Michel Termer desde o esquema do Porto de Santos, que é notório em todo o País. O episódio famoso com o Joesley Batista, que quase custou o mandato dele, tu ‘tem que manter isso daí’. Existem provas, não apenas convicções contra o Michel Temer. Por isso, não recebi com nenhum descontentamento a prisão do Temer e era algo que o povo brasileiro, aqueles que já vinham observando essas provas contra ele, esperavam há muito tempo.

Agora, o que nós temos que nos preocupar é que isso não sirva para fortalecer xerifes de toga, que isso não sirva para destilar uma guerra de ressentimentos de setores da força-tarefa da Lava Jato, que queriam gerir um fundo de R$ 2,5 bilhões com recurso público e foram derrotados, que isso não sirva para fazer cortina de fumaça diante da crise do desgoverno do Bolsonaro, e francamente espero que tenham sido respeitados os princípios constitucionais da prisão preventiva.

Sul21 – Há uma corrente de análise inicial de que essa prisão seria uma resposta da Lava Jato depois de alguns percalços que ela enfrentou, como a decisão do STF de delegar à Justiça Eleitoral o julgamento de Caixa 2 e crimes conexos, tiveram que recuar na questão da fundação, os embates entre o ex-juiz Sérgio Moro e o Rodrigo Maia. Nesse sentido, a prisão do Temer pode ser um gesto político da Lava Jato?

Boulos: Seria uma ingenuidade não relacionar essas coisas. É evidente que tem uma disputa aberta entre setores da Lava Jato com o Supremo Tribunal Federal. Teve um bate-boca público entre o Sérgio Moro e o Rodrigo Maia. A Lava Jato foi enfraquecida na sua tentativa absurda de gerir um fundo público e fazer um orçamento paralelo. Não associar as prisões de hoje com esse contexto seria muita ingenuidade, o que não quer dizer que isso seja um atenuante para o Michel Temer diante das provas que existem dos crimes que ele cometeu. Reitero, espero que as prerrogativas constitucionais da prisão preventiva tenham sido respeitadas, as condições que são dadas para que ocorra uma prisão preventiva.

Sul21 – Boulos, tu começou uma viagem por doze estados do Brasil nos últimos dias e uma das pautas é a reforma da Previdência. Essa é a pauta central das esquerdas nesse momento?

Boulos: Acho que a pauta central do País nesse momento é a reforma da Previdência. É importante construir um processo de resistência e de oposição forte, enraizado, em relação a essa reforma. É isso que eu estou buscando fazer com esse giro. Quando em nossas discussões no PSOL, com a frente Povo Sem Medo, no MTST, nós decidimos por fazer esse giro, foi no sentido de dar uma chacoalhada também, porque nós não podemos ter uma oposição dócil. Em 70 dias, o governo Bolsonaro impôs uma série de retrocessos. Em 70 dias de governo Bolsonaro, caíram máscaras que desgastaram esse governo. Setores que votaram no Bolsonaro começam a perceber o peixe podre que compraram. Diante disso, é preciso ter uma oposição contundente. Não podemos ter uma oposição só de hashtag. Não podemos ter uma oposição dócil, bem comportada.

Sul21 – E como se faz essa oposição contundente?

Boulos: Se faz com trabalho de base, com diálogo com as pessoas. Se faz organizando a militância e construindo processos de mobilização. É isso que eu estou com a tarefa de fazer nesse giro pelo País. Comecei aqui pelo Sul anteontem [na terça-feira, 19], em Santa Catarina. Fizemos uma atividade extraordinária, mais de 2 mil jovens na Universidade Federal de Santa Catarina. Ontem [quarta, 20], em Curitiba, na Praça Santos Andrade, mais de 1,5 mil jovens em frente à faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná. Hoje [quinta, 21], vou estar na PUCRS pela tarde e a noite no Teatro Dante Barone na Assembleia Legislativa. O objetivo é construir mobilizações, é ajudar a organizar e reunir os ativistas, o campo progressista, fortalecer a unidade e fortalecer processos de luta contra a reforma da Previdência e também para a construção de uma oposição sólida ao governo Bolsonaro.

Sul21 – No primeiro momento, com o governo Bolsonaro vindo de uma vitória expressiva nas eleições, imaginava-se que o papel da oposição pudesse ser não o barrar a reforma, por falta de condições, mas talvez conseguir suavizar os impactos e diminuir as “maldades”. Depois desses 70 dias, já se tem condições para pensar em barrar a reforma?

Boulos: Eu acho que pode-se construir esse caldo na sociedade brasileira. Toda a pesquisa de opinião mostra que, apesar da campanha de marketing do governo, falando de uma nova Previdência, de combate a privilégios, que vai garantir a Previdência das próximas gerações, que é uma campanha absolutamente mentirosa, apesar de tudo isso, a população está contra a reforma. Acho que uma parte importante das pessoas se deu conta que isso é a destruição da Previdência pública, não é uma reforma. Eles querem acabar com a Previdência pública.

Qual é a jogada? A jogada é tornar as regras do INSS tão proibitivas, tão difíceis de serem alcançadas, sobretudo com o aumento do tempo de contribuição vinculado a uma idade mínima, que aquelas pessoas que têm maior renda, os trabalhadores com maior estabilidade e renda, prefiram fazer uma capitalização, porque as regras do INSS se tornam desvantajosas. E os trabalhadores com menor renda, que são a maioria dos brasileiros, não vão conseguir se aposentar pelo INSS, teriam que morrer trabalhando, e não tem condições de ter uma poupança em previdência privada e capitalização. O que vai acontecer com essa maioria? Vai receber R$ 400 por mês de benefício social, que é o que eles estão transformando o BPC [Benefício de Prestação Continuada] a partir dos 60 anos de idade.

Olhem para o Chile, foi isso que fizeram lá, foi isso que o Pinochet fez lá. Hoje [ontem], o Onyx Lorenzoni mais uma vez, como é do seu feitio, deu uma declaração absolutamente infeliz, cretina, em relação ao Chile, à reforma do Pinochet. Oitenta por cento dos aposentados chilenos recebem menos de um salário mínimo. O Chile se tornou o País com o maior índice de suicídio de idosos na América Latina. É esse modelo que eles querem fazer. Isso destrói a Previdência pública e migra a Previdência dos trabalhadores com melhores condições para os bancos privados, que é o objetivo. É botar a poupança do trabalhador capturada pelo Bradesco, pelo Itaú, pelo Santander, é isso que eles querem.

Sul21 – Como tu avalia a mensagem que o governo mandou para a população com essa reforma da Previdência dos militares, primeiro enviada em separado daquela dos demais trabalhadores, e agora acompanhada de ganhos salariais e uma série de benefícios?

Boulos: A primeira coisa que eu me lembrei foi a jogada que o Luiz Fux fez no STF quando foi se discutir o fim do auxílio-moradia para juízes. Qual foi a chantagem que ele fez? ‘Eu pauto o fim do auxílio-moradia se vocês aprovarem um reajuste do salário da cúpula do Judiciário para R$ 40 mil’. Os militares fizeram a mesma chantagem. Eu aceito reduzir benefícios previdenciários a longo prazo se vocês aumentarem os meus salários. Isso é uma esculhambação. Nós estamos com mais de 14 milhões de desempregados, 37 milhões de pessoas na informalidade, a fome voltando no País. É uma esculhambação essa proposta dos militares. A mensagem é: não vão combater privilégios coisa nenhuma. Não tem combate a privilégios nessa reforma. Pode ter uma coisa ou outra pontual, mas o essencial dessa reforma é atacar direitos, destruir a Previdência pública e, com a capitalização, entregar a aposentadoria aos bancos.

Sul21 – Um assunto muito importante para os movimentos sociais que tem ficado à margem das discussões nesse início de governo é a pauta da criminalização das organizações. Há um projeto do deputado Jerônimo Goergen para classificar MST e MTST como organizações terrorista. Como tu vê esse ambiente para os movimentos sociais?

Boulos: Existe uma tentativa expressa, desde o princípio, pelo Bolsonaro e pelo seu grupo, de criminalizar o movimento social e a luta social no Brasil. O Bolsonaro disse, durante a campanha eleitoral, que ia expulsar os vermelhos, disse que movimento social era terrorista, que iria acabar com o MST, com o MTST. Na época, eu respondi para ele, por entrevistas, porque do debate ele sempre fugia durante a campanha. Eu dizia: Bolsonaro, se você quer acabar com o MTST, eu te ajudo, construa 7 milhões de casas, coloque isso no seu programa, vai acabar com o MTST. Quer acabar com o MST? Faça a reforma agrária. Por que eu estou dizendo isso? Porque é uma ilusão acreditar que você vai acabar com o movimento social com repressão, com lei ou com criminalização. O movimento social existe porque existe uma demanda na sociedade, porque existem direitos negados historicamente na sociedade.

Enquanto esses direitos continuarem negados, enquanto não houver políticas públicas efetivas e profundas, que assegurem esses direitos ao povo brasileiro, os movimentos sociais vão existir e vão se fortalecer a cada dia. Agora, é um escárnio que se queira tratar como terrorista alguém que não tem casa, que no fim do mês tem que escolher entre pagar aluguel e comprar o leite do filho, que sofre humilhações morando de favor na casa de alguém. Taxar essa pessoa de terrorista é uma desumanidade. Agora, um governo que tem um projeto devastador, também tem um projeto autoritário. Pega essa reforma da Previdência, é evidente que vai encontrar resistência social.

Sul21 – Passa pela tua cabeça que o governo pode usar eventuais derrotas e eventuais manifestações de rua como uma desculpa para uma saída autoritária?

Boulos: Eles sempre podem usar como uma desculpa. Eles sempre podem encontrar pretextos para endurecer o regime quando eles veem que o poder escapa pelas mãos. O governo Bolsonaro sofre um desgaste precoce. Em menos de três meses, nós temos um governo na lona, que perdeu 15 pontos de popularidade. Nós temos um governo desmoralizado. Um governo que é desmascarado como tendo o presidente da República e a sua família associados a milicianos, que podem estar envolvidos com a morte da Marielle Franco. Um governo de um partido que veio dizendo que ia fazer a nova política e está no meio do laranjal. Um governo totalmente despreparado, cheio de trapalhadas. Um governo que causa vergonha alheia, aqui e lá fora. Então, é evidente que pode passar pela cabeça deles tentações ainda mais autoritárias e de endurecimento. Agora, isso não deve ser motivo para a sociedade ficar quieta para não dar pretexto a alguém. Isso deve ser motivo para a sociedade se organizar ainda mais para que eles não cogitem colocar em práticas devaneios como esse.

Sul21 – Mas nesse ambiente construído, os movimentos sociais estão tendo que puxar o freio de mão em algumas ações, como ocupações? Ou continua na mesma pegada de sempre?

Boulos: O movimento continua fazendo as suas mobilizações. E continua inclusive tendo conquistas. No último final de semana, eu tive um enorme orgulho na entrega de 910 chaves, 910 apartamentos conquistados pelo MTST no ABC Paulista, em Santo André. Os condomínios Santo Dias e Novo Pinheirinho. Conquistados com a luta depois de 7 anos. Então, o movimento continua firme, lutando, no caso do MTST, por moradia digna, mas também por direitos sociais. O MTST vai estar em peso amanhã [hoje] nas mobilizações contra a reforma da Previdência que vão acontecer em todo o Brasil. O MTST, esse ano, já fez inúmeras mobilizações em órgãos públicos cobrando a retomada do Ministério das Cidades e de políticas de moradia popular. Então, discurso não nos intimida. Repressão não nos intimida. Nunca nos intimidou.

Sul21 – Na campanha eleitoral, foi muito comentado o episódio em que o Mano Brown falou num comício do Fernando Haddad que o PT tinha que voltar para a base e para a periferia. Um recado que vale para toda a esquerda. Como ir até a base, ir até a periferia para além dos movimentos sociais, conseguir chegar nas pessoas que se desiludiram com a esquerda?

Boulos: Primeiro, eu concordo inteiramente com o Mano Brown e disse a ele naquele dia. Eu estava no comício com ele, depois se reuniu todo mundo em outro local e eu o parabenizei pelo discurso que fez. Ali o Mano Brown expressou uma posição que é de muita gente. Nós temos construído uma esquerda que pisa no barro, combativa, que está nas periferias, há muitos anos. Através do MTST, da Frente Povo Sem Medo. Com a experiência dos Bairros Sem Medo, que são uma iniciativa que organiza demandas na periferia, faz a luta pelo ônibus, faz a luta pelo posto de saúde, organiza cursos na comunidade, faz cozinha coletiva no bairro. Acho que não existe uma receita para o trabalho de base, não existe um único jeito de fazer trabalho de base. Agora, existem pistas. Acima de tudo precisa haver iniciativa. Eu vejo hoje muita gente falando da importância do trabalho de base, não vejo todo mundo disposto a ir fazer. Tem que fazer. O MTST fez várias atividades pelo País chamando. Quer vir fazer trabalho de base na periferia, venha. Vamos fazer outras ao longo desse semestre.

A segunda questão é: vamos olhar sem preconceito para as igrejas, para as evangélicas, inclusive. Por que as igrejas pentecostais, neopentecostais, cresceram tanto? Em parte porque fazem o que a esquerda deixou de fazer. Ocuparam um espaço nas periferias que era da Teologia da Libertação, das comunidades eclesiais de base, de movimentos sociais. Que é você estar lá no bairro, ouvir, acolher, ter espaços de solidariedade. Trabalho de base é muito isso. Trabalho de base não é você ir lá e ficar apenas discursando para as pessoas. Você tem que ouvir. Tem que criar espaços que sejam acolhedores, tem que reconstruir vínculos comunitários de solidariedade e, naturalmente, construir mensagens, passar mensagens, organizar lutas, atender demandas. Isso precisa ser reconstruído urgentemente para a esquerda voltar a ter um grande poder de mobilização.

Sul21 – Como se constrói um canal de comunicação? Com fake news ou não, a campanha do Bolsonaro estava muito a frente em termos de chegar nas pessoas. Como reconstruir esses canais de comunicação?

Boulos: O que a campanha nos ensinou é que a esquerda também precisa se apropriar do WhatsApp como ferramenta de comunicação. O Bolsonaro ganhou a eleição numa medida importante pelo WhatsApp. É evidente que nós temos que fortalecer todas as iniciativas de comunicação democrática, temos que fortalecer todas as iniciativas de jornalismo amplo, democrático e progressista no País. Agora, isso não basta. As pessoas hoje têm o WhatsApp como principal meio de comunicação. O cara vai ver a televisão, ou mesmo abrir um site, em algum momento. Agora, o WhatsApp, nós vamos terminar essa entrevista e cada um vai pegar o seu celular para saber se chegou mensagem e de quem chegou. Então, o WhatsApp em si não é um problema. O problema do Bolsonaro é que ele usou o WhatsApp para espalhar mentira, notícia falsa.

Agora, a esquerda precisa também aprender a fazer com que a sua organização nos bairros, nos locais de trabalho, nas escolas, tenha também uma sintonia com formas de organização em rede, sobretudo pelo WhatsApp. É importante dizer que não foi o Bolsonaro que inventou essas redes de dados, de utilização do WhatsApp, de Big Data, que eles utilizaram na campanha. Isso eles pegaram do setor privado. Isso começou com a venda de planos de saúde nos Estados Unidos, quando se construiu uma forma de comunicação para setores segmentados. Você saber com quais públicos está falando, estabelecer uma mensagem. A esquerda precisa se profissionalizar nisso também.

Boulos respondeu a um ‘pinga fogo’ no final da entrevista | Foto: Guilherme Santos/Sul21 

Sul21 – Boulos, pra fechar, algumas perguntas na base do pinga fogo. Zé de Abreu, bobagem ou uma grande sacada?

Boulos: Acho que o Zé de Abreu fez uma piada, uma brincadeira com o absurdo que é a autoproclamação do [Juan] Guaidó na Venezuela. Acho que, através do humor, gerou um bom debate. Agora, é uma brincadeira.

Sul21 – Lula livre é uma pauta que une a esquerda ou desaglutina forças?

Boulos: Acho que Lula livre deve unir a esquerda e todos os setores democráticos. Agora, não é a única pauta da esquerda. Precisa vir junto também com pautas de defesa de direitos, como o enfrentamento à reforma da Previdência.

Sul21 – A queda na popularidade do Bolsonaro indicada pelas pesquisas desta semana significa alguma coisa? É relevante?

Boulos: Acho que é relevante. Acho que mostra que muita gente que votou na eleição pela desilusão, votou no Bolsonaro pela completa desesperança e por um discurso de que ele iria fazer uma grande mudança, mudar tudo que está aí na política, começou a cair em si e perceber que o Bolsonaro, além de farinha do mesmo saco, é uma pessoa sem a menor condição de dirigir o Brasil.

Sul21 – O governo Bolsonaro até agora em uma frase.

Boulos: Uma tragicomédia.

Edição: Marcelo Ferreira